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Superman (2025): Por uma esperança revolucionária 

Artigo de Bea Damas

Este artigo tem spoilers para o filme!

O recentemente estreado filme, realizado por James Gunn, “Superman”, surpreendeu pela positiva. Um dos morais da história deste “homem de aço” pode ser facilmente resumido: “Os interesses da humanidade não são os interesses do capital ou dos governos e instituições burguesas”. 

É a história de um super homem que trava a invasão de uma Palestina fictícia, Jarhanpur, por um Israel fictício, Boravia, e que justifica a sua intervenção explicando que quer travar a morte e a guerra. Esta grande ilegalidade que é parar uma invasão militar, coloca-o em sarilhos perante as forças governamentais dos estados unidos, que têm Israel como grande aliado, e com as aclamadas leis internacionais. Superman, numa entrevista à sua parceira romântica, Louis Lane, deixa claro que não quer saber das leis e que não representa os Estados Unidos, mas sim a humanidade. 

O seu inimigo é o famoso vilão Lex Luthor, que neste filme é representado como um bilionário que vende armas ao Israel fictício, com o desejo de lucro, ocupação de metade do território da Palestina fictícia e a morte do literal e metafórico alien, Superman. 

Uma decente metáfora 

Este filme é uma decente, mas imperfeita, metáfora, que nos pinta várias imagens. 

Primeiro, demonstra o desejo popular por solidariedade e pela paz, valores que podem ser idealistas mas não têm que o ser. Qualquer trabalhador deseja o fim de conflitos, guerras e genocídios, pagos com o seu suor e trabalho, que nada trazem de positivo à vida de ninguém, excepto à da burguesia. 

Segundo, demonstra um entendimento de que a guerra e a política da morte é uma consequência direta do capitalismo, apesar da caricatura individualizada do bilionário único. O filme não se afasta de falar deste ponto, de como o vilão quer que a guerra aconteça e de como o mesmo ganha especificamente através do lucro da venda de armas e do petróleo que poderá explorar após a colonização do território de Jarhanpur. 

Mas imperfeita metáfora 

Obviamente que não espero que o filme de Hollywood, criado no centro imperial do capitalismo, seja comunista ou perfeito. No entanto, penso que devem ser anotados os erros do filme. 

Não, os liberais e conservadores americanos não se separariam do bilionário criminoso de guerra, já que na realidade não o fazem. Não, o sistema político capitalista americano não iria prender o criminoso de guerra, já que na realidade não o faz. E finalmente, não, derrotar um bilionário e colocar o mesmo na prisão não resolve o problema 

A ficção de super-herois é inspiradora, mas engana num ponto de extrema importância: o Superman não nos vem ajudar. Ele não está na Metrópolis americana, no meio da multidão, à espera que uma criança palestina chame, com dor mas esperança, o seu nome para ser salva do imperialismo capitalista. O individual sobrehumano é um mito, é esperança mal alocada. 

Mas sim, devemos ter esperança.

Esperança

A esperança de uma representação dos interesses da classe trabalhadora deve existir. Essa esperança, esse otimismo, essa vontade que já existe de dentro de nós, não tem que ser mal alocada. É a força do otimismo revolucionário que pode alimentar a atividade revolucionária. 

Por isso, não precisamos de um super homem que desça dos céus, nem devemos ficar sentados à espera de um. Precisamos de nos organizar, formar e profissionalizar como revolucionários para mandar abaixo o sistema capitalista que cria todos estes problemas.

Convido-te como leitor a ver o filme e a formar a tua própria opinião mas, muito mais importante, convido-te a juntar-te a nós. Vem construir a organização com toda a esperança revolucionária que sentes. Vem aprender como mandar abaixo o sistema e como construir uma nova sociedade, onde os tentáculos sujos de sangue e petróleo do capitalismo são cortados, não limpos. 

Nós trabalhadores, unidos, temos muito mais poder que qualquer super-heroi.

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