“Se a revolução ainda não tem triunfado nenhures, não é pela falta de combatividade das massas, mas pela ausência de uma direção à altura. De facto, enquanto o sistema está a ruir, as velhas direções da esquerda reformista aferram-se a ele desesperadamente.” – Resolução Organizativa aprovada pelo I congresso do Coletivo Comunista Revolucionário.
O fim de 2025 e o início de 2026 viram duas eleições em Portugal, as autárquicas e as presidenciais, com ambas contando com fracas campanhas dos partidos da esquerda reformista, e os resultados ficaram à vista. Há um vazio na direção da classe trabalhadora do país – e preenchê-lo com o fim de virar o mundo do avesso é a “modesta” tarefa que nós, comunistas revolucionários, nos demos.
Contudo, construir esta liderança é uma tarefa longa, complexa e não-linear, às vezes são necessários recuos e reorganizações, outras vezes são necessários debates intensos, podem levar anos para construirmos o partido de massas que almejamos, mas nada disto é algo a temer. Lenine, durante a construção daquilo que hoje conhecemos como bolchevismo, travou inúmeras batalhas contra correntes divergentes que visavam corromper o marxismo, extrair de si a sua essência revolucionária, rebaixar a sua prática a um mero pedagogismo para fins oportunistas.
Foi em outubro de 1917 que ficou comprovado o sucesso do partido revolucionário erguido pelos bolcheviques, todas as batalhas em defesa do marxismo, todas as reorganizações e polémicas levaram a classe trabalhadora russa a assaltar os portões dos céus. O Coletivo Comunista Revolucionário terá um longo caminho pela frente até tornar-se um partido de massas, e a nossa Resolução Organizativa não teria outro papel senão analisar cada reglete que já ultrapassamos para definirmos quais serão as próximas arestas que encaixamos as nossas mãos para pegar impulso sem perder de vista o topo do monte que escalamos.
A organização revolucionária é construída por etapas, é um organismo vivo, não trata-se de uma máquina metafísica, presa no tempo e estática na sua existência. Ela deve responder ao ambiente, adaptar-se à luta de classes, às condições objetivas e subjetivas. Na primeira metade de maio de 2025, o CCR tomou o seu mais importante passo até ao momento para lançarmo-nos na nova etapa de construção do partido em Portugal, este foi a realização do nosso primeiro congresso. Com uma nova, porém não inédita, estrutura (foram eleitos um Comité Central e um Comité Executivo), adotamos os nossos documentos oficiais, Estatutos, Manifesto-Programa, Perspectivas Nacionais e Resolução Organizativa. De facto, isto representou um passo na direção da nossa profissionalização, na formação de revolucionários profissionais.
As tarefas do CCR nesta etapa de construção são, portanto, continuar a recrutar os jovens e trabalhadores que atingem a consciência de vanguarda e avançar com a profissionalização e formação marxista, principalmente dos novos camaradas, porém o primeiro não pode andar sem o segundo, e o segundo não poder correr sem o primeiro.
Retrospectiva de 2025/2026
Neste tempo de um ano atingimos grandes vitórias no nosso desenvolvimento, tal como o analisamos no nosso último congresso. O CCR nasceu como Coletivo Marxista, os camaradas podiam ser contados nos dedos… de uma só mão.
“O verdadeiro trabalho público do coletivo só começou, porém, depois dos confinamentos, em 2021. Naquela altura, éramos apenas 4 ou 5 camaradas. O volume de trabalho era limitado e os nossos métodos eram, inevitavelmente, informais.”
Em 2024, O Coletivo Marxista já ultrapassava uma dúzia de camaradas e no início de 2025 o número, entre militantes e simpatizantes, chegara aos trinta. Aqui, os métodos informais de organização, utilizados até então, demonstraram-se um travão no desenvolvimento das atividades, o que levou-nos à divisão em duas células e à eleição de uma direção interna.
O rápido sucesso da nova célula de Belas-Artes no seu quesito de profissionalização levantou um entusiasmo dentro da organização, de maneira eufórica a célula da Sirigaita decidiu por uma nova divisão, nasceu assim a célula da Travessa do Maldonado, a terceira célula do CCR. Não demorou muito, porém, para que percebêssemos que a organização do Maldonado tinha debilidades. Primeiramente, o pensamento por trás da formação da nova célula foi imponderado, não havia um ponto de atuação bem definido, e as reuniões ocorriam no mesmo horário que a célula originária, a 5 minutos de distância do seu local de reunião.
A célula do Maldonado também não possuía o que chamamos de “núcleo duro”, militantes capazes de manter uma presença constante em reuniões e de contribuir ativamente para eventos públicos, impedindo o recrutamento e a formação dos camaradas. A célula de Belas-Artes, pelo contrário, conseguiu manter sempre uma constância de seu núcleo duro, o que resultou numa profissionalização mais eficiente e cristalizada. Mesmo com problemas objetivos das condições proporcionadas pela Faculdade de Belas-Artes, o núcleo desenvolveu-se, e hoje, com a realocação desta célula para a Cidade Universitária, carrega-se as lições absorvidas na construção da antiga célula.
Face à falha no desenvolvimento do Maldonado, esta célula foi refundida na Sirigaita, o que gerou um ótimo impulso de desenvolvimento nesta última célula, tanto politicamente como organizativamente, a direção celular demonstrou-se mais coesa e o nível de profissionalização da célula demonstrou-se mais elevado.
Em Coimbra foi criada uma célula forte, capaz de realizar intervenções em manifestações e até mesmo de liderar movimentos. A experiência de Coimbra não apenas demonstra o entusiasmo e a determinação bolchevique dos militantes originais da célula, mas também que existe um grande vácuo político deixado pela esquerda hegemônica nas demais regiões do país que não a capital. O recrutamento de camaradas muito jovens em idade demonstrou que a juventude carrega em si um potencial revolucionário enorme, que, despojados e frescos, tem a capacidade de assimilar rapidamente as ideias do marxismo e colocar em prática os textos. Em abril de 2026 este organismo do CCR realizou sua primeira escola de quadros, marcando um salto qualitativo na formação de camaradas jovens.
No Porto, recentemente, tivemos a criação de uma nova célula depois de dois anos de tentativas a partir do evento de lançamento do livro “A Ameaça do Fascismo”, isto representa um passo muito importante para a organização como um todo, neste momento temos células ativas nas principais cidades das regiões Centro e Norte, e na capital do país, os andaimes de uma organização nacional. Por ser uma célula jovem, continua a ser necessária uma elevação do nível político do Porto, que ainda encontra-se num momento de experimentação em diversas frentes, mas que demonstra um grau de coesão cada vez mais elevado, participando em manifestações com materiais próprios, reunindo-se semanalmente, recrutando de forma ágil e com constantes colagens feitas pela região metropolitana. A tarefa indicada agora, especificamente à célula do Porto, é avançar com a regularização das reuniões semanais de forma presencial.
Fica claro que o Coletivo Comunista Revolucionário alcançou grandes sucessos neste espaço de um ano, tratemos agora de analisar algumas necessidades que as condições do ambiente nos impõem para que o crescimento da organização torne-se uma constante holística.
Homogeneizar
Cada atuação da Internacional Comunista Revolucionária tem suas particularidades dependendo dos continentes, países e cidades em que cada secção ou grupo se encontra, contudo, existem tradições e métodos tanto a nível internacional como nacional que demonstram ser eficazes independentemente do local de desempenho. São estas técnicas as quais, para um bom funcionamento interno e externo da organização como um todo, têm de ser adotadas com alguma urgência, mas que tampouco devem ser tratadas de maneira mecânica. Esses processos devem ser assimilados pelas lideranças de célula e organicamente induzidos na militância de base, de forma a universalizar os métodos de desenvolvimento já provados bem-sucedidos.
“Pelo contrário, a organização dos revolucionários deve englobar, antes de tudo e sobretudo, pessoas cuja profissão seja a atividade revolucionária (…)”. – Quê Fazer?, V.I. Lenine
Formar revolucionários profissionais é a tarefa mais primordial de um partido revolucionário, isto não significa, necessariamente um funcionário pago da organização, mas um camarada dedicado plenamente à causa revolucionária, para isto, é essencial incutir uma disciplina revolucionária e séria em nossa militância, garantindo uma formação teórica sólida nas veias da filosofia marxista. O CCR, como já dissemos, passou de uma etapa de construção em que nos tratamos como um grupo de leitura e discussão marxista para um grupo com maior capacidade de intervenção nos movimentos a nossa volta, e isso implica uma maior necessidade de base conceitual, para que erros táticos não sejam cometidos ou para que aprendamos com a experiência destes erros. Ao mesmo tempo em que o ecossistema da luta de classes evolui, deve evoluir também a nossa capacidade de nos adaptarmos praticamente ao seu contexto, e para isso, o marxismo é a nossa arma.
A implantação da disciplina revolucionária, contudo, não trata-se apenas de lições filosóficas, mas também de instintos práticos de cada militante. A pontualidade, seja na presença, seja na discussão, é uma ferramenta importante para se homogeneizar entre as nossas fileiras, na nova célula da Cidade Universitária, por exemplo, as discussões terminam dentro do limite de duas horas de reunião, se não antes, permitindo com que cada ponto em discussão tenha o máximo de contribuição democrática dos camaradas presentes, tornando o resultado muito mais rico e fresco. Pois esta é uma das consequências necessárias dos trabalhos das reuniões, permitir que todos os participantes saiam das discussões inspirados, renovados e prontos para colocar em prática aquelas ideias que foram debatidas. Como militantes por lazer, é natural que tais atitudes como atrasos, interrupções e redundâncias, surjam de forma natural, mas o CCR já ultrapassou tal momento e face a necessidade de tornamo-nos todos militantes profissionais torna-se clara como a água a necessidade de evoluir nestes pequenos percalços.
Outra atitude necessária de internalizar nos camaradas é a postura ativa face o trabalho de contatos, já aqui foi dito que uma das nossas tarefas principais é recrutar novos militantes, e para isso é importante a comunicação, mas não apenas para agendar reuniões de contato, e sim de todas as formas, sejam em eventos, bancas de jornais, panfletagens, manifestações, etc. Por exemplo, ao acabarmos um evento público, o trabalho de militância não deve cessar, é natural e positivo que queiramos descontrair e conversar com demais militantes em tom de camaradagem, mas é ainda mais importante que ao avistarmos novos rostos, os abordemos, lhes perguntemos porque decidiram comparecer, se a discussão foi interessante (ou não), o que achou da conclusão, se têm interesse em comparecer a uma reunião e militar conosco, e por fim se querem deixar algum contato. Idealmente, haverá tempo para descontrair após o trabalho de contato ser realizado, e possivelmente até com a presença de um novo militante.
Neste momento, o CCR ainda é relativamente pequeno, é verdade que já temos o principal: Uma perspetiva, um programa e uma ideia, e mesmo que nada seja mais poderoso do que uma ideia cujo tempo já chegou, a melhor ideia será inefetiva se não for materializada numa organização de carne e osso, ainda temos muito para crescer, se nos momentos de grandes conturbações na luta de classes não tivermos a dimensão de um partido de massas, seremos varridos pelos acontecimentos.
Mas como todo engenho, a comunicação no trabalho de contatos também requer experiência. É importante que camaradas mais inexperientes no âmbito acompanhem camaradas mais experientes no intuito de absorver tais aptidões para mais tarde colocá-las em prática e repassá-las a outros camaradas. Temos de ter sempre em mente que o nosso trabalho é conquistar a direção da nossa classe, retirando-a das mãos de lideranças ultrapassadas. Para isso, disseminar o trabalho de contato entre as nossas fileiras de modo a que todos os militantes estejam aptos a recrutar é primordial.
O Coletivo Comunista Revolucionário, como parte da Internacional Comunista Revolucionária, tem por trás de si um Beemote de décadas de experiência, ideias e tradições, das quais muitas podem ser utilizadas aqui, em Portugal, com confiança. Até agora, o CCR tem utilizado o jornal principalmente como uma ferramenta financeira, mas chegou a hora de pôr em marcha o seu potencial completo. Outras secções com mais anos de existência utilizam os seus periódicos como uma ferramenta essencialmente de recrutamento. A nossa secção estadunidense, por exemplo, utiliza de seu jornal como uma ponte para possíveis contatos, isto é, ao invés de abordarem pessoas com a intenção de fazer uma venda, os camaradas abordam pessoas com a intenção de iniciar uma conversa e conseguir um contato, a venda é apenas algo secundário (e às vezes até terciário).
Um jornal comunista não é algo que se vê todos os dias, e as chamadas que, dignas de um material marxista, sejam idealmente provocadoras, em outras palavras, atraem atenção, geram euforia, causam repulsa, formulam dúvidas, etc. são uma ótima forma de iniciar uma conversa. Em acompanhamentos feitos com a nossa secção americana os militantes abordavam grupos de pessoas que, à primeira vista, pareciam abertos às nossas ideias, apresentavam a capa ou a contra-capa do jornal e perguntavam o que achavam, a edição no caso era a N.27 “Down with the Epstein Class!”, uma das pessoas num grupo abordado reagiu “eu fico enojada ao ver este rosto [do Epstein]”, e o camarada apenas perguntou “Porquê?”, a partir daí iniciou-se uma conversa, e no final lançou-se a proposta de militar, ou simplesmente presenciar uma reunião de célula.
O jornal é, portanto, uma ferramenta com grande potencial recrutador do qual nós, em Portugal, também somos completamente capazes de beneficiar. Basta incutir e difundir estas boas práticas ativamente na nossa militância.
É nesta hora que aproveitamos também para falar sobre o aprimoramento de táticas utilizadas nas bancas de vendas de jornais. É verdade que as redes sociais têm um grande poder para incrementar nossos números, mas elas têm um fator essencialmente auxiliar, como sabemos, estas plataformas são dominadas por grandes oligopólios tecnológicos, são ferramentas de manipulação ideológica por parte da burguesia. Uma organização revolucionária inevitavelmente encontrará travões no seu desenvolvimento ao apostar seus esforços puramente no mundo digital, e aqui demonstra-se a importância de estarmos em cada rua, posto de trabalho e fila das cantinas universitárias com o emancipador material marxista.
Desde o nosso primeiro congresso, a organização realizou dezenas de bancas, vendendo jornais e livros e até adquirindo novos contatos. Isso evidenciou um salto no CCR, que até maio de 2025 tinha realizado pouquíssimas bancas e muito esporadicamente. Há, porém, formas de exponencializar o aproveitamento das bancas em benefício do crescimento da organização. Até o tempo de escrita, temos pensado as bancas em forma de expansão, para alcançar o máximo de pessoas possíveis temos de fazê-las em diferentes lugares, em diferentes dias da semana, em diferentes horários do dia. Isto tem levado-nos a adquirir muitos contatos de forma rápida, mas destes, uma porcentagem reduzida vingou.
Diferentemente, as células das secções mais desenvolvidas da ICR tratam as bancas como uma ferramenta para estabelecer presença, sem perder de vista o trabalho de contatos. Aqui encaixamos outro exemplo dos camaradas estadunidenses: a célula da Universidade de Nova Iorque realiza bancas de jornais sempre nos mesmos dias da semana, no mesmo horário e no mesmo local, existe, claro, uma definição de horário e de posicionamento de maneira estratégica com vista a garantir maior visibilidade e afluência de pessoas, porém aqui o modo de pensar a banca é diferente – os camaradas pretendem construir uma presença, e não apenas elevar suas estatísticas, é melhor, para eles, que os estudantes, os jovens e os trabalhadores da universidade saibam que ao passarem por tal rua conseguirão ver os comunistas e ter um diálogo interessante, e de tal forma motivarem-se para tal. É preferível termos poucos contatos que consigamos cristalizar nas fileiras da organização do que estarmos demasiado esticados com muitos contatos pouco promissores: definir pontos de focagem é essencial para não tropeçarmos nos nossos próprios cadarços. Foi dessa forma que a célula da Universidade de Nova Iorque em pouco tempo passou de 5-6 militantes para quase 30 e hoje avançaram com uma divisão em uma segunda célula!
Assim, devemos considerar estrategicamente que tipo de militantes procuramos nesta fase e onde nos podemos conectar com eles para que as nossas forças sejam bem medidas e gastas. Os estudantes universitários não só serão muito em breve os futuros jovens trabalhadores deste mundo, como são principalmente jovens cheios de energia e raiva, cujas vidas foram definidas por crise atrás de crise. Por isso, não deverá ser difícil convencer um jovem a ser revolucionário – o seu dia-a-dia já o relembra da podridão do sistema. Precisamos, no entanto, de apresentar as nossas ideias revolucionárias de forma a encaixar também na realidade estudantil. Hoje, o movimento estudantil está a ser captado por ideias reformistas como lutar “pelo fim da propina” ou “mais ação social” que têm inevitavelmente o seu limite político. Assim, a nossa ação deverá ser de que cada célula, mesmo as que não se encontrem num espaço universitário, procurem idealmente, caso as condições o permitirem, atuar nestes espaços com regularidade, em formatos formais através de eventos, ou informais, através de bancas, discussões abertas, conversas, etc. numa linguagem mais acessível, mas séria, provocadora e revolucionária. Há um espaço vazio que nos cabe ocupar.
Estamos no caminho certo, as sementes das boas práticas do futuro partido já foram plantadas e muitas já deram seus brotos, o que é necessário agora é podar, regar, passar a um vaso maior, ou seja, refinar e ajustar atitudes e práticas conforme as necessidades apareçam.
Segunda camada de direção
Uma organização revolucionária de massas não pode ser dirigida por apenas 5 camaradas, todos os camaradas devem elevar seu nível político para poderem tomar as rédeas da organização. É primordial construir uma segunda camada de direção capaz de liderar em qualquer categoria.
No CCR, essa camada já está a ser formada em todas as divisões, em Lisboa, seja na Sirigaita ou na Cidade Universitária, temos camaradas mais novos, que não fazem parte da direção nacional, a serem formados em lideranças de célula para que no futuro sejam capazes de dar passos maiores, mas também camaradas com um fervor revolucionário dentro de si, o que ajuda-os cada vez mais a organizarem ações como foi o caso das nossas militantes mulheres durante o 8 de Março; Em Coimbra temos militantes que tomam as rédeas em iniciativas de forma exemplar, garantindo que a formação dos camaradas seja incrementada, como foi feito na primeira escola de quadros; No Porto temos uma célula muito jovem, mas que já está a mostrar a sua força bolchevista, organizando eventos públicos, preparando materiais para manifestações, tratando de formulários de recrutamento quase que diariamente.
O crescimento do CCR coloca novos desafios, com os que só poderemos lidar se ampliarmos a base de camaradas que na prática assumem responsabilidades na organização e que se envolvem na sua vida interna ativamente. Mas isso requer uma elevação do nível político. Trata-se de treinar novos dirigentes locais e nacionais, e já temos dado passos importantes neste sentido. É uma das nossas maiores façanhas desde o último congresso, passamos de ter uma dupla de camaradas que propunham iniciativas para mais de uma dezena!
Não se pode quantificar tão facilmente como os sucessos no recrutamento ou nas finanças, mas a influência destes novos quadros é muito tangível e extremamente positiva. Devemos impulsionar e acelerar a formação de quadros conscientemente: com escolas locais ou nacionais, círculos de leitura, viagens a eventos internacionais e com o acompanhamento individualizado de camaradas, quer pelo Comité Executivo, quer por membros do Comité Central, criando o tal sistema de “buddies“, sobre o que falámos há um ano, mas que já começa a cristalizar.
O Comité Central também tem começado a direcionar-se para o intuito pelo qual foi desenhado, uma escola de quadros. Como uma organização relativamente pequena, o CC ainda não necessita de operar sobre uma lógica de direção, mas é lá que também almejamos formar um novo grupo de altas capacidades políticas. O Comité Executivo é o órgão dentro do CCR que tem tomado as iniciativas destinadas ao âmbito nacional, que mesmo com camaradas muito jovens, mostra-se cada vez mais capaz em termos de liderança.
Portanto, a necessidade que colocamos aqui é de aprofundar a formação destes estratos de liderança, e criar os nossos futuros quadros políticos.
Critérios estritos de militância
No período de 2025/2026, foi-se colocada a questão muitas vezes: “O que é um militante?”. Um militante comunista, como já foi dito, é um revolucionário profissional, mais uma vez, não necessariamente um funcionário a tempo integral, mas alguém capaz de garantir uma disciplina revolucionária para com a organização. O alicerce mais poderoso da disciplina é a motivação e o entusiasmo, que devem emanar das ideias e da sua compreensão. Contudo, é também tarefa desta nova resolução colocar critérios mais concretos de militância:
- O militante deve envolver-se ativamente na vida e atividade da célula e participar nas suas discussões. Deve tentar garantir uma presença regular. Se o militante não mantiver um regime ativo de célula, este mantém-se em um estado específico de “baixa”;
- O militante deve ter as cotas atualizadas, buscando quitar sempre qualquer débito em atraso;
- Novos recrutas devem passar por um “período de provação”, ao longo deste regime, a célula deve debater se a pessoa demonstra um comprometimento com a organização e a partir da decisão conjunta, formalizar a sua adesão;
- O militante deve querer ativamente envolver-se em leituras de materiais marxistas de modo a desenvolver autonomamente seu nível político.
Estes critérios não servem apenas para conseguirmos distinguir as forças que realmente temos em campo, mas são as bases para desenvolvermos as nossas fileiras de forma orgânica e simultânea, certificando-nos da equidade entre as células e motivando os camaradas a progressivamente adotarem uma postura bolchevique para com a sua organização.
Perspectivas de construção para 2026/2027
É com a vinda de mais um congresso que celebramos então os novos patamares atingidos pela organização durante este período de um ano, paralelamente a isto, colocamos também novos objetivos materiais para o período que abre-se para nós agora na aventura que é a construção desta organização, que aspiramos seja o futuro partido da classe operária:
- Elevar a presença física das células nos seus locais de atuação através de bancas semanais;
- Motivar os camaradas a tomar autonomamente as iniciativas que ajudem na construção do CCR;
- Seguindo a linha do último, tornar estes camaradas em lideranças capazes de dirigir futuras novas células;
- Elevar a cota média, através de um valor indicativo dependente da ocupação dos camaradas;
- Construir “núcleos duros” em todas as células nacionais capazes de garantir presença constante e elevado nível político nas discussões;
- Incutir nos militantes uma disciplina revolucionária através do bom exemplo;
- Realizar eventos formativos anuais, com a presença de camaradas de todas as células;
- Avançar com os acompanhamentos de militantes, de modo que todos os camaradas sintam-se confortáveis em acompanhar ou de serem acompanhados por alguém.
Avante ao primeiro funcionário e aos 100 militantes!
Paralelamente, colocamos aqui, um dos mais importantes requisitos para o crescimento da organização nesta etapa, conforme avançamos com a construção, vem-se fazendo cada vez mais evidente a necessidade de alguém que trabalhe a tempo inteiro para o CCR. Alguém que consiga garantir a homogeneização política, emancipado das lógicas de trabalho no capitalismo, necessitamos do nosso primeiro funcionário.
No primeiro congresso do Coletivo Comunista Revolucionário, foi colocado um objetivo de crescimento: chegar aos 50 militantes. Na época, definimos as nossas forças em 30 militantes, com a profissionalização, porém, veio também a limpeza dos nossos livros, e o nosso número real acabou por ser mais baixo, houveram também polémicas, em que baixas ocorreram devido a divergências políticas com o marxismo.
Porém, mesmo com alguns percalços, o CCR não parou de crescer, ao tempo de escrita destas linhas, somos 41 militantes, está aqui a prova da força indomável das nossas ideias, Lenine escreveu que “A doutrina de Marx é onipotente porque é exata”, e é esta doutrina, a doutrina marxista, que continua a justificar, precisamente, a nossa existência. Ainda somos pequenos, mas temos o caminho traçado, vemos o topo do monte e sabemos quais são as próximas arestas, e por isso: Avante aos 100 militantes!
“Estou neste movimento desde 1960. Há muito tempo. Já vi de tudo – o bom, o mau e o indiferente. E, durante quase todo esse tempo, eu e os camaradas que estavam comigo, como a Ana, o Rob e o Fred, nadamos contra a corrente, confrontados com forças muito poderosas: forças do reformismo, do reformismo de esquerda e, em particular, do estalinismo, que era um obstáculo tremendo, enorme…
Estávamos completamente isolados, éramos uma força pequena, a lutar como uma força minúscula contra estes obstáculos colossais. Ora, isto foi duro, mais duro do que qualquer coisa que vocês tenham de enfrentar no momento presente. Foi duro, desesperadamente duro. Mas foi absolutamente necessário, porque conseguimos fazer algo. Conseguimos preservar, ao longo de todos estes anos difíceis, a arma essencial que temos, que é a teoria marxista, as ideias genuínas do marxismo sobre as quais hoje nos apoiamos. Este é o legado que temos. Este é o legado que defendemos e que este Congresso representará.” – Mensagem de Alan Woods para o Primeiro Congresso da Internacional Comunista Revolucionária realizado em agosto de 2025.
Coletivo Comunista Revolucionário Comunistas Revolucionários de Portugal