No meio da tormenta provocada pela detenção ilegal, em águas internacionais, da Global Sumud Flotilha (incluindo a deputada portuguesa Mariana Mortágua), rebentou em Portugal um novo escândalo que revela o grau de conivência do governo Montenegro com Israel. Em abril, três aviões de guerra dos EUA reabasteceram na base das Lages, nos Açores, na sua viagem a Israel, onde integrariam a máquina militar genocida desse país. Trata-se de aviões F-35 versão Adir, o mais avançado avião de combate do mundo, produzido por Lockheed Martin. Os aviões teriam passado pelos Açores após a negativa de Espanha de que o espaço aéreo das bases de Rota e Morón fosse usado.
Os voos contaram, como tem vindo a ser confirmado, com a aprovação “tácita” do Ministério da Defesa, chefiado por Nuno Melo, do CDS, e cuja afinidade por Israel é bem conhecida (referiu-se há uns dias aos membros da flotilha como “apoiantes de Hamas”!). No entanto, o escândalo gerou uma forte polémica dentro do próprio governo AD, com críticas do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, do PSD, que denunciou uma violação do protocolo ao não ter sido informado.
Este escândalo mostra várias coisas.
Apesar das tímidas críticas platónicas do governo AD à chacina em Gaza, ele continua a manter estreitas relações com Israel. O governo reconheceu o Estado palestino, mas, no entanto, permite o fornecimento de ajuda militar ao exército que destrói qualquer hipótese para a criação desse “Estado”, arrasando Gaza e ocupando e trucidando Cisjordânia. São folhas de parra para esconder a sua cumplicidade com o genocídio.
Na política externa do governo, o elemento decisivo são os EUA, que tratam o Estado português como um vassalo, e que usa a base de Lages nos Açores como o seu quintal (já vimos a base ser usada por aviões militares dos EUA durante a breve operação contra o Irão em junho). Desta vez, soubemos do episódio graças à imprensa espanhola. Mas quanto armamento militar estará a passar pelos Açores, sem que apareça nos manchetes, aproveitando os “apoios tácitos” e as “violações do protocolo”? Os EUA usam Lages como o seu quintal justificadamente, já que Rangel, Melo e Montenegro são só vassalos. A fraca e atrasada burguesia portuguesa e os seus representantes políticos dependem totalmente do imperialismo norte-americano, o que por sua vez os atrela ao regime sionista em Israel.
Apesar do pessimismo da esquerda, este governo é fraco e está dividido, como a polémica entre Rangel e Melo mostra. Estão nervosos e inseguros. Isso porque sabem que a sua base social é extremamente frágil, e que a sua política interna, de ataques à classe trabalhadora (pacote laboral, lei migratória, aumento das propinas, etc.) é tão odiada quanto a sua política externa, de rearmamento, militarismo, submissão aos EUA, e, o tema mais premente, de apoio a Israel – um apoio mal disfarçado por gestos ocos e hipócritas e palavras vazias que só aumentam a indignação da população.
Podemos derrotar este governo cambaleante tanto na sua política externa como interna. Para isso é preciso bloquear tudo através da ação e organização de massas, armada com um programa que ligue a solidariedade pela Palestina com a luta pelos nossos direitos enquanto jovens e trabalhadores. Essas ações devem culminar numa greve geral, onde a classe trabalhadora paralice tudo usando o seu grande poder. A política externa reacionária deste governo é uma prolongação da sua política interna pró-capitalista. A melhor forma de ajudar o povo palestiniano é batendo nos “nossos” imperialistas cá em Portugal, cúmplices criminosos do genocídio.
Coletivo Comunista Revolucionário Comunistas Revolucionários de Portugal