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Assembleia de Abril: Coimbra avança com a primeira Assembleia do CCR na cidade!

Artigo de: CCR Coimbra

Este 11 de Abril, na Real República Palácio da Loucura, a célula de Coimbra do CCR realizou a sua primeira Assembleia, uma demonstração da nossa crescente habilidade de organização, formação e disciplina. 

Com uma presença notável de à volta de 20 participantes, número preenchido de camaradas militantes, simpatizantes e pessoas com interesse, a assembleia foi composta por 3 sessões de formação e debate marxista  com apresentações e intervenções de alto nível político, almoço e jantar garantido pelas fantásticas pessoas da República Palácio da Loucura e um concerto de Belaflor, que acabou o dia com uma presença artística incomparável. O ambiente foi de grande entusiasmo, o que se refletiu numa angariação de fundos no final do dia, onde foram arrecadados 70€ (uma quantidade considerável numa célula composta principalmente por estudantes de liceu!).

Esta Assembleia teve como principal objetivo a formação teórica dos camaradas que a atenderam, contacto com pessoas novas que tenham interesse no tema e no nosso coletivo e a consolidação dos nossos esforços de organização. Desse objetivo demarcarmos três temas que sublinhamos a necessidade de entendimento e aprofundamento: Socialismo Utópico VS Socialismo Científico, Lições de Abril e Perspectivas Mundiais. 

Socialismo Utópico VS Socialismo Científico

O livro “Socialismo: Utópico e Científico” de Friedrich Engels explora o desenvolvimento histórico do socialismo, analisando o seu desenvolvimento desde o iluminismo à sua eventual transformação numa ciência. É importante realçar o caráter intemporal desta obra, como também, a sua importância no estudo do desenvolvimento teórico do socialismo moderno. 

O avanço histórico das ideias socialistas descreve-nos a necessidade inevitável da emancipação de uma classe a desenvolver-se historicamente. A compreensão do sistema capitalista, tem como base as duas descobertas de Marx, a mais-valia e o materialismo histórico e dialético. Através destas, compreendemos a necessidade da perpetuação da miséria , como o caráter contraditório do capitalismo.

A dialética, embora presente nos gregos clássicos, culminou no sistema hegeliano. Ao contrário do pensamento metafísico, a dialéctica mostra-nos que tudo está em constante movimento, ou seja, na sua essência, algo “é” e “não é” ao mesmo tempo. Assim, nada é permanente, está num processo de desenvolvimento constante. Deste ponto de partida, conclui-se que a história da humanidade, é um processo conflituoso onde os sistemas sociais se vão substituindo, conforme a luta de classes. 

Derivado da dialética, o materialismo histórico demonstra a inevitabilidade do capitalismo e das suas contradições. As forças produtivas teriam de ser, necessariamente, revolucionadas de modo a tomarem um caráter social, que entra em discórdia com o obsoleto modo de apropriação individual, que já não condiz com as enormes forças produtivas acumuladas. Esta permanece a principal contradição do capitalismo, que Engels, habilidosamente, compilou na sua obra.

Por fim, conclui-se que o proletariado é a classe social destinada a revolucionar o capitalismo e, portanto, a extinguir todas as contradições que advêm dele. A tarefa do socialismo científico não é mais que armar os trabalhadores do conhecimento da sua condição e, naturalmente, contribuir para a sua emancipação.

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Lições de Abril

Com o lançamento da nova edição do livro do camarada Rui Faustino, Lições de Abril, editado e publicado pelo Coletivo Comunista Revolucionário, e com a data do 25 de Abril a aproximar-se, volta ao de cima o interesse e necessidade do entendimento da Revolução Portuguesa. 

As lições fundamentais de Abril mostram que a força principal de todo o processo foi a ação de massas da classe trabalhadora. Foi o movimento operário que, perante as tentativas de golpe da reação a 28 de Setembro e 11 de Março, respondeu com barricadas e ocupações, forçando a nacionalização da banca e dos seguros e impulsionando a Reforma Agrária. Neste processo, a classe trabalhadora aspirou, instintivamente, ao socialismo e ao poder operário, mas os seus desejos colidiram com as políticas reformistas das suas direções. Estas lições mostram também a política de colaboração de classes produzida pelas direções do PCP. Baseando-se na teoria das “duas etapas”, o Partido Comunista Português defendeu que era necessário consolidar primeiro uma democracia burguesa, travando a iniciativa revolucionária dos trabalhadores, chegando até a classificar greves como “selvagens”  e a organizar manifestações contra as greves dos trabalhadores. O PS aproveitou a moderação do PCP para se colocar demagogicamente à sua esquerda, ganhando assim enorme popularidade, mas, para além da retórica radical, a sua política era também uma de colaboração de classes. 

O 25 de Novembro surge, neste contexto, como a conclusão de uma contra-revolução “democrática” (porque se apoiou na liderança do PCP e do PS) que se aproveitou da divisão política da classe trabalhadora. Enquanto os “moderados” do Grupo dos Nove se organizavam para repor a disciplina militar e a ordem capitalista, a direção do PCP capitulou, desmobilizando os trabalhadores e marinheiros em troca da sua sobrevivência na legalidade democrática.

A grande lição que permanece é a ausência do “fator subjetivo”: a inexistência de um partido revolucionário de massas com um programa capaz de unificar e coordenar as milhares de comissões de trabalhadores, moradores e soldados. Estes órgãos eram embriões de poder operário (Soviets) que, se tivessem sido unidos a nível nacional, poderiam ter derrubado o estado burguês e iniciado a planificação da economia. Entender Abril hoje é, portanto, compreender que a vitória definitiva dos explorados exige uma organização política organizada de antemão para levar a luta até ao fim.

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Perspectivas Mundiais

Vivemos numa das épocas mais conturbadas da história. Dir-se-ia que o mundo enlouqueceu. Mas, parafraseando Shakespeare, há “método nesta loucura”, que nós comunistas podemos e devemos compreender utilizando a análise científica do marxismo, que nos permitirá intervir eficazmente nos acontecimentos. O pano de fundo destas convulsões é a crise orgânica do capitalismo, embrenhado em contradições cada vez mais gritantes. As colossais forças produtivas criadas a escala global pela classe trabalhadora rebelam-se contra a propriedade privada e a anarquia do mercado e contra os Estados-nacionais burgueses. 

As ferramentas que outrora a burguesia usara para contornar estas contradições, nomeadamente o crédito (que expande artificialmente o mercado, mitigando a tendência à sobreprodução) e o alargamento do mercado mundial (que amplia o palco de ação do capital), tornam-se agora contra o sistema, aprofundando a sua crise. O crédito, que permitiu sair (fracamente) da crise de 2008 e da pandemia de 2020 traduziu-se agora em gigantescas dívidas, que devem ser pagas com os seus juros, minando a economia e a margem de manobra dos burgueses. O alargamento do mercado mundial facilitou a ascensão da China como grande potência capitalista e imperialista, que tem inundado o mercado mundial com as suas mercadorias, agravando a tendência à sobreprodução. Neste contexto, intensifica-se a luta interimperialista: o mercado mundial está saturado, e portanto a disputa pela sua partilha acirra-se. 

Acrescenta-se a isto o declínio relativo do imperialismo norte-americano. A catastrófica guerra no Irão é uma tentativa enlouquecida de compensar este declínio, mas irá só o aprofundar, com consequências importantes para a luta de classes, sobretudo nos EUA, mas também cá na combalida Europa. A crise do movimento de Trump mostra que os populistas de direita da sua laia são “colossos com pês de barro”. No poder, eles acabam sempre por frustrar as expectativas que os levaram ao poder (num contexto de descrédito da esquerda reformista), pulverizando as suas contraditórias bases de apoio e preparando futuras viragens à esquerda. A perspetiva não é o fascismo ou a contrarrevolução, como grita a esquerda reformista, mas, pelo contrário, grandes explosões na luta de classes num clima de radicalização e instabilidade. Nós, comunistas revolucionários, poderemos intervir nos grandes acontecimentos que estão a se preparar se estivermos prontos, construindo fortes organizações de quadros. Essa é a nossa tarefa. 

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Coimbra Vermelha, Mundo Vermelho

O que deve significar o sucesso de um evento como esta assembleia? A curto prazo é uma chance para corrigir erros, afinar estratégias e continuar a desenvolver os nossos métodos e ideias. É um intervalo de tempo que, como ao abanar uma caixa com sal ou farinha acumulado, permite solidificar e densificar o conhecimento que já existe, criando espaço para o próximo passo. E, para este próximo passo, o sentimento e pensamento de otimismo revolucionário não pode ser ignorado. Ao contrário dos eventos da esquerda portuguesa que se inundam de pessimismos, onde a história está prestes a acabar, caída nas mãos de uns pequenos fascistas, a nossa balança mede as contradições do capitalismo e correlação de forças e entende que, tanto no cenário português como no cenário mundial, a classe trabalhadora cada vez mais atende as chamadas que recebe para se juntar à luta contra as injustiças que inundam o dia-a-dia. Com faíscas imensas em todas estas pradarias, não irá durar até ao próximo incêndio revolucionário. 

Com a arma refinada do método marxista, com o entendimento histórico dos erros da nossa revolução traída e com a consciência das crises do capitalismo como sistema internacional, bem como da luta feita por todo o proletariado global, desenhamos e organizamos o partido revolucionário que não trairá as massas quando estas entrarem em cena. 

Continuamos a nossa luta com o maior objetivo do crescimento do Coletivo Comunista Revolucionário, trabalhando com grande força na nossa cidade. O nosso crescimento irá significar a formação de cada vez mais militantes marxistas revolucionários, a organização de campanhas mais ativas e fortes e maiores intervenções nas batalhas políticas que definem os nossos tempos.
A célula de Coimbra define então a sua próxima campanha. Em tempos aclamados de escuridão, pintemos a cidade da cor viva da luta de classes: Viva a Coimbra Vermelha!

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