Screenshot 2026 06 26 at 15.14.56

Abaixo a repressão! Solidariedade com as vítimas das rusgas da PJ!

Comunicado do Coletivo Comunista Revolucionário

Na passada quinta-feira, 18 de junho, vários ativistas vinculados ao movimento pela Palestina foram alvos de rusgas da polícia judiciária, levando-se a cabo buscas nos seus domicílios. Nós no Coletivo Comunista Revolucionário denunciamos este ato repressivo, expressamos a nossa solidariedade com as vítimas e reivindicamos o direito democrático ao protesto, ameaçado pelo Estado burguês na atual conjuntura de crise capitalista.  

O terreno para as rusgas já foi preparado pelo relatório de segurança interna deste ano, onde se dá destaque à causa palestiniana como uma das principais ameaças “à ordem pública”. Inserindo os clássicos epítetos do “antissemitismo” e do “vandalismo”, criminalizam assim o movimento contra o genocídio e preparam a chamada opinião pública para desferir o seu golpe repressivo. As autoridades portuguesas são cientes do absoluto repúdio que provocam os crimes do Estado sionista, que é um aliado crucial do imperialismo ocidental no Médio Oriente. Por isso, para defender a sua política de colaboração com os algozes israelitas, os Estados europeus, incluindo Portugal, são obrigados a criminalizar o movimento pela Palestina, apresentando-o como “antissemita”, “vandálico” e “extremista”. Dessa forma, não só tentam dividir e desmoralizar o movimento, mas também preparar o terreno, política e legalmente, para a repressão.

Todavia, este ato repressivo faz parte de um processo mais amplo. O regime burguês, em Portugal e não só, está profundamente descredibilizado. Há muitos anos que só oferece ataques às condições de vida. A crise do capitalismo está a pulverizar as bases materiais que deram estabilidade à democracia burguesa durante cinquenta anos. Para compensar a sua perda de autoridade, o regime apoia-se cada vez mais na repressão. No Estado espanhol, a polícia infiltra-se impunemente nos movimentos sociais e de esquerda. Na Inglaterra, organizações pró-palestinianas são categorizadas como terroristas. Em França, o governo atira a polícia contra os protestos e aprova reformas através de decretos “de emergência”. Na Itália, aprova-se uma nova lei contra o direito à manifestação. Portugal não é uma exceção nesta tendência. A greve geral de 3 de junho foi acompanhada de cargas policiais de uma agressividade totalmente injustificada. Os tribunais burgueses garantem a impunidade da violência policial mais extrema, suspendendo a condenação (já por si branda) contra os assassinos de Odair Moniz, como vimos recentemente.  

Não podemos, todavia, exagerar esta onda repressiva do Estado: ela tem limites determinados pela correlação de forças entre as classes sociais. Não estamos perante a ameaça iminente de uma ditadura. A burguesia gostava de aplicar medidas mais duras, mas os seus representantes políticos são fracos e impopulares: falta-lhes a força necessária. Se forem demasiado longe, podem provocar uma reação perigosa por parte dos jovens e dos trabalhadores. Veja-se o exemplo da Palestine Action: o Estado britânico foi obrigado a recuar perante a indignação popular após ter banido essa organização.

Com efeito, na defesa dos direitos democráticos podemos contar apenas com as nossas forças, com a força do movimento operário e revolucionário. A lei burguesa sempre justificará e amparará os desmandos dos corpos repressivos, dando-lhes cobertura legal. Contra o embate do Estado, devemos defender todos os direitos democráticos ganhos pela nossa classe através da sua luta. Estas conquistas não são liberdades metafísicas, mas direitos concretos: ao protesto, à organização, à livre expressão. Devemos utilizá-los contra a burguesia, para subverter a sua ordem, para preparar a revolução que derrube o seu Estado e o seu sistema apodrecido.

Spread the love

About Arturo Rodriguez

Check Also

Capture decran 2026 09 03 154627

Uma visão marxista da arte feita por IA

Artigo de Benoit Taguay Entre as muitas convulsões sociais provocadas pela IA, uma das reações …

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This website uses cookies. By continuing to use this site, you accept our use of cookies. 

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial