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A vassalagem de Montenegro

Artigo de Gabriel Seabra

No último sábado, 28, o governo de Luís Montenegro de vassalagem ao império estadunidense lançou um comunicado através do Ministério dos Negócios Estrangeiros onde o “Governo português condena os injustificáveis ataques do Irão aos países vizinhos da região – entre eles, a Arábia Saudita, o Catar, os Emiratos Árabes Unidos, o Kuwait e a Jordânia -, que devem cessar imediatamente”. O comunicado esquece o pequeno detalhe de os EUA e Israel terem primeiro lançado ataques massivos ao Irão, utilizando bases militares nesses países, enquanto estavam a negociar com Teerão! Os ataques do Irão, portanto, são plenamente “justificáveis” do ponto de vista desse direito internacional do que o governo português tanto gosta de falar. 

De forma claramente hipócrita, ou orwelliana, essa nota é feita pública menos de uma semana depois de o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admitir que os EUA podem usar a base aérea das Lajes para atacar o Irão sem necessidade de dar sequer um aviso ao Estado português.

Rangel disse que “[Os EUA] podem, para qualquer operação, usar [a base das Lajes] sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”.

Portugal pode – ainda – não ter-se declarado disposto a atacar o Irão em uma coalizão com os Estados Unidos e Israel como fizeram o Reino Unido, a Alemanha e a França, mas a cumplicidade permanece a partir do momento em que a movimentação de aviões americanos na base das Lajes nas últimas semanas tem crescido, e o volume dessas movimentações mantidos desde o reacender do conflito. Passaram pela base aérea diversas aeronaves de guerra incluindo reabastecedores, caças e cargueiros militares com “autorizações tácitas” e de curto prazo, fica escancarada aqui a comparsaria de Portugal na agressão imperialista dos EUA contra o Irão. A “nossa” classe dominante, com Montenegro à frente, mantém-se fiel à sua longa tradição de vassalagem, na esperança de que a sua submissão seja premiada com algumas migalhas do banquete imperialista.

Da mesma forma que Portugal concessiona seu território para a utilização militar por parte dos Estados Unidos, o fazem também os países do Médio-Oriente mencionados na declaração do MNE, não é necessário dizer que os “injustificáveis ataques do Irão” ocorrem em retaliação aos ataques feitos contra o território iraniano perpetrados pelos EUA e por Israel. Os ataques, no momento de escrever estas linhas, já fizeram pelo menos 787 vítimas mortais e atingiram mais de uma centena de cidades, incluindo 85 mortes após um bombardeio a uma escola primária feminina no sul do país: vê-se aqui a preocupação dos países ocidentais com a proteção dos direitos das mulheres iranianas.

Nós, comunistas revolucionários, opomo-nos ao regime capitalista corrupto dos ayatollahs. Todavia, a tarefa de derrubá-lo cabe única e exclusivamente ao povo iraniano, que tem demonstrado enorme fervor revolucionário, como se viu ainda nos levantes que abalaram o regime há só algumas semanas. A cobiça imperialista de Trump nada tem a ver com os interesses das massas iranianas, e elas sabem disso. Perante a atual agressão, criminosa e unilateral, dos EUA e dos carrascos israelitas declaramos o nosso apoio firme ao povo iraniano e à sua legítima defesa. 

A derrota das ambições do imperialismo ocidental no Irão não seria apenas um duro golpe para os seus capitalistas, mas também geraria um grande impulso para o movimento revolucionário do proletariado no Médio Oriente e até nos próprios Estados Unidos, que junto com os trabalhadores das demais nações do mundo, são os únicos aliados do povo iraniano.

Portanto, neste momento, o dever da classe trabalhadora em Portugal e na Europa é mobilizar-se contra os “nossos” imperialistas, vassalos dos EUA, em defesa dos nossos irmãos de classe no Irão, colocando-se de prontidão nas ruas, derrotando Luís Montenegro e expulsando as armas de guerra americanas das nossas terras. 

Abaixo o governo de vassalagem de Montenegro!

Tirem as armas do imperialismo de Portugal e da Europa!

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