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Teses sobre o CHEGA (2.º congresso, 30/05/2026)

O Chega é uma força burguesa populista de direita, profundamente reacionária e perigosa,
mas não é um partido fascista. O fascismo, enquanto forma específica de contra‑revolução,
exige condições materiais e políticas que não se verificam no mundo atual. Confundir o
Chega com um movimento fascista não só dilui o conceito, como obscurece o diagnóstico
concreto da conjuntura e conduz a respostas políticas erradas. Precisão sobre o que é o
fascismo e o que é o Chega não é um exercício académico: é o requerimento para elaborar
uma estratégia de combate eficaz, simultaneamente contra o partido e contra o regime que
o produz.

O que é o fascismo

  1. O fascismo é uma forma específica de contra‑revolução burguesa, distinta de outras
    modalidades de reação e de ditadura, cuja função central é destruir as organizações
    independentes da classe trabalhadora e atomizar o proletariado.
  2. A sua emergência pressupõe uma crise orgânica do capitalismo: colapso do regime
    parlamentar, deslegitimação dos partidos tradicionais e incapacidade do sistema em
    assegurar condições mínimas de reprodução social às classes trabalhadoras e
    intermédias.
  3. O fascismo só se torna uma possibilidade concreta quando, perante sucessivas
    oportunidades revolucionárias, o movimento operário é derrotado ou traído pelas
    suas direções, esgotando‑se temporariamente a via da tomada do poder pela classe
    trabalhadora.
  4. Nestas circunstâncias, a burguesia recorre ao fascismo como último recurso, após
    esgotar os meios “normais” de dominação (parlamentarismo, reformas, repressão
    policial ordinária, governos bonapartistas), para garantir pela via da guerra civil
    preventiva a continuidade da propriedade capitalista.
  5. Do ponto de vista de classe, o fascismo é um movimento de massas de tipo plebeu,
    cujas reservas sociais residem sobretudo na pequena burguesia urbana e rural e em
    sectores do lumpenproletariado, lançados no desespero pelo deteriorar das suas
    condições de vida.
  6. Esta base social é composta por pequenos proprietários, comerciantes, camponeses
    médios, profissionais desclassados e elementos desorganizados e degradados do
    proletariado, que procuram saídas “milagrosas” para a crise e são particularmente
    permeáveis à demagogia autoritária.
  7. Embora surja “de baixo”, é dirigido, armado e financiado pelos grandes interesses
    capitalistas, que nele encontram o instrumento capaz de mobilizar essas camadas
    intermédias contra o proletariado organizado.
  8. A ideologia fascista combina nacionalismo exacerbado, chauvinismo ou racismo,
    culto da violência, antiparlamentarismo e apelos à “unidade nacional” contra inimigos
    internos, articulando uma pseudo retórica antissistema com um ódio sistemático às
    organizações operárias e às minorias oprimidas. Essa demagogia é necessária para
    ampliar a base de apoio da contrarrevolução.
  9. No plano organizativo, o fascismo estrutura‑se em partidos‑milícia e bandos
    paramilitares que funcionam simultaneamente como aparelho político, exército de
    rua e rede de intimidação, penetrando em bairros, fábricas, escolas e instituições
    mediante sistemas de espiões e informadores.
  10. A sua função específica é servir de “aríete humano” do capital financeiro: por meio
    de métodos de guerra civil, esmaga fisicamente sindicatos, partidos operários,
    cooperativas, jornais e qualquer forma de auto‑organização independente da classe
    trabalhadora.
  11. Uma vez conquistado o poder de Estado, o fascismo não se limita a modificar as
    formas de governo; Aplicando o método da guerra civil ao proletariado, procede à
    aniquilação das organizações operárias, à supressão das liberdades democráticas e
    à fusão dos aparelhos partidários, estatais e repressivos num único mecanismo de
    dominação. Destrói a democracia burguesa para criar um Estado totalitário ao
    serviço do grande capital.
  12. Institucionalmente, o Estado fascista subordina integralmente o aparelho estatal, as
    forças armadas, a administração, o sistema educativo, os meios de comunicação e
    as organizações de massas (sindicatos únicos, juventudes, corporações) à ditadura
    direta do capital financeiro.
  13. O fascismo distingue‑se das ditaduras militares “clássicas” (bonapartismo) porque
    assenta numa mobilização de massas contínua, com milícias e redes enraizadas no
    tecido social, ao passo que o Bonapartismo depende sobretudo do aparelho
    militar‑policial sem um movimento de massas próprio. Todavia, o fascismo no poder,
    após ter esmagado o proletariado, tende a evoluir gradualmente para formas de
    governo bonapartistas, mais previsíveis do ponto de vista da burguesia,
    domesticando as suas milícias e apoiando-se na repressão “convencional” da polícia
    e do exército. Os exemplos de Salazar e Franco são ilustrativos: ambos os regimes
    se transformaram aos poucos em ditaduras bonapartistas.
  14. Por ser uma forma extrema e excepcional de dominação burguesa, que requer
    colocar o poder na mão de um “louco”, que acaba por eventualmente, levar também
    a sua burguesia nacional à bancarrota, o fascismo só é colocado seriamente em
    cima da mesa quando se verificam simultaneamente: crise estrutural do capitalismo,
    esgotamento das soluções parlamentares, derrota da classe trabalhadora e
    disponibilidade de amplos sectores da pequena burguesia para uma solução de tipo
    plebeu‑reacionário.
  15. Daqui decorre que o uso indiscriminado da categoria “fascismo” para designar
    qualquer direita reacionária ou populista dilui o conceito, obscurece o diagnóstico
    concreto da situação e reproduz erros teóricos que, no passado, contribuíram para
    desarmar o movimento operário perante o fascismo propriamente dito.

O Chega e a sua ascensão

  1. O Chega é a expressão política da ala mais reacionária da classe dominante
    portuguesa, articulando um discurso demagógico, securitário, patriarcal, racista com
    uma pretensão anti-sistémica que não altera o seu conteúdo de classe.
  2. A sua ascensão resulta da crise prolongada do capitalismo português, da
    estagnação económica, da degradação dos salários, da crise da habitação e do
    colapso progressivo dos serviços públicos, isto é, de condições materiais que tornam
    estrutural o descontentamento social.
  3. O crescimento do Chega não pode ser separado da falência da “Geringonça”, que,
    apesar do contexto relativamente favorável que encontrou, limitou-se a concessões
    mínimas, não reverteu as principais contrarreformas da troika e não resolveu os
    problemas centrais da vida operária.
  4. A incapacidade dos governos de esquerda para alterar a condição material das
    massas produziu desgaste político e abriu espaço à direita populista, sobretudo
    entre camadas que viveram apenas crise, austeridade e precariedade.
  5. O Chega beneficiou do voto de protesto e da abstenção, capitalizando a raiva social
    acumulada contra um regime corretamente percecionado como apodrecido e
    corrupto.
  6. A sua base social é heterogénea: reúne elementos racistas e fascistas conscientes,
    pequenos burgueses frustrados, mas a sua principal expressão está nos sectores
    descontentes e politicamente atrasados da classe trabalhadora.
  7. Essa heterogeneidade decorre da função demagógica do partido: Ventura promete
    tudo a todos e adapta o discurso aos ressentimentos disponíveis em cada momento.
  8. O Chega converte em linguagem política os sentimentos de frustração, impotência e
    revolta social, mas fá-lo deslocando a causa da crise dos capitalistas e do Estado
    para minorias políticas e outros alvos convenientes.
  9. O partido beneficia da crise de autoridade da esquerda tradicional, em particular do
    PCP e do BE, cujas políticas de colaboração institucional contribuíram para diluir a
    oposição de classe e para desarmar politicamente sectores que haviam mostrado
    disponibilidade para a luta. As regiões do país onde o Chega cresce eleitoralmente,
    antigos estandartes de esquerda trabalhista como a margem sul e o Alentejo,
    comprovam isto.
  10. No Algarve, a somar à pobreza e subdesenvolvimento histórico da região, o turismo
    massivo com a hotelaria e a restauração, atrai uma mão de obra barata, disponível
    para longas jornadas laborais e trabalho sazonal. Muitos imigrantes, portanto,
    ocorreram à região, competindo nessa “corrida para o fundo” com os trabalhadores
    aí nascidos e disputando-lhes o lugar sob a brutal exploração patronal, extensivel
    também à pesca e agricultura. Habilidosamente, e sobre os fracassos dos
    reformistas, o Chega tem jogado a cartada racista, dividindo os trabalhadores e
    colocando-os a lutar uns contra os outros pelas migalhas da escassez que lhes toca
    sob o capitalismo. Eis a raiz do crescimento do Chega numa das regiões mais
    pobres (para quem lá vive e trabalha) do país e com preços, da alimentação à
    habitação, dos mais caros pela pressão do turismo.
  11. Os reformistas portugueses identificaram-se conscientemente com o regime
    contrarrevolucionário novembrista desde a sua origem, apresentando-o falsamente
    como a culminação da revolução de 1974-1975. Agora, perante a ascensão do
    Chega, apressam-se a defendê-lo, de mãos dadas com o PS e a direita “moderada”.
    Abrem o caminho ao Chega para se apresentar como a única oposição ao regime.
  12. Apesar do seu crescimento eleitoral, o Chega não dispõe de uma base social
    organizada, disciplinada e mobilizável à escala necessária para se afirmar como
    força hegemónica de massas.
  13. As suas tentativas de mobilização de rua são reduzidas e politicamente frágeis, o
    que confirma que a sua força principal é eleitoral e mediática, não uma implantação
    social comparável à de um movimento fascista.
  14. A sua ascensão deve ser lida como sintoma de crise do regime e de erosão da
    legitimidade das forças tradicionais do bloco de poder, não como prova de um
    fascismo já constituído.

O Chega não é fascista

  1. Classificar o Chega como fascista não é uma posição radical — é um erro político.
    Esvazia o conceito, obscurece o diagnóstico, e reproduz os erros teóricos que, nos
    anos 1930, desarmaram o movimento operário perante o fascismo real.
  2. Pior: fortalece Ventura. A acusação de fascismo alimenta precisamente a imagem de
    “todos contra mim” que ele cultiva. A esquerda que agita o espantalho fascista, ao
    identificar-se com o regime, entrega-lhe o monopólio da oposição.
  3. Sejamos claros: por trás dos clamores sobre a “ameaça fascista” esconde-se a
    covardia da esquerda reformista e a tentativa de justificar os seus erros e recuos e
    evitar a autocrítica. Descarregam a culpa pelos seus falhanços na “viragem à
    direita” dos trabalhadores. Ainda pior, usa-se este espantalho para facilitar a
    adaptação dos reformistas ao regime e a sua política de colaboração de classes.
  4. Também encontramos esta retórica em grupos da esquerda dita radical. No
    melhor dos casos, é fruto da sua ingenuidade e do seu impressionismo; no
    pior, trata-se de uma tentativa de aproveitar o pessimismo predominante para
    obter ganhos a curto prazo, deseducando a sua militância no processo.
  5. Compreensivelmente, o Chega provoca nojo entre amplas camadas da
    juventude. Temos de nos conectar com esse ambiente, mas através de uma
    explicação científica do fenómeno, necessária para o combater eficazmente,
    sem exageros e impressionismos.
  6. O fascismo pressupõe reservas sociais específicas: uma pequena burguesia
    proprietária numerosa, um lumpenproletariado organizado em milícias, e uma classe
    trabalhadora previamente derrotada. Nenhuma dessas condições existe hoje. A
    pequena burguesia foi esmagada pelos monopólios; as antigas profissões liberais
    foram proletarizadas e são hoje das mais combativas e sindicalizadas. Embora não
    se possa descartar teoricamente a ascensão de movimentos fascistas genuínos no
    longo prazo, essa não é uma perspetiva imediata.
  7. A base social do Chega é o oposto de um núcleo fascista coeso: heterogénea e
    contraditória — reúne fascistas conscientes, pequena-burguesia assustada e
    trabalhadores desiludidos com a esquerda, 67% dos quais apoiaram a greve geral
    de Dezembro de 2025.
  8. A correlação de forças nas ruas confirma o diagnóstico. As concentrações do Chega
    não passam do milhar de pessoas. A greve geral de Dezembro de 2025 mobilizou
    mais de três milhões de grevistas. A greve colocou sobre a mesa as questões de
    classe (embora efêmeramente): Ventura, que no início apoiara o pacote laboral,
    ficou numa situação difícil, obrigando-o a mudar de posição. Vimos aqui fulgores,
    ainda ténues, do futuro: a luta de classes arrebentará a base social do Chega.
  9. Quando emergem núcleos neonazis na órbita do Chega, o Estado burguês
    reprime-os — operações com dezenas de arguidos. Na ascensão de Mussolini, o
    Estado protegia os esquadristas e reprimia as milícias operárias. A inversão é
    reveladora. O Estado não reprime (seletivamente) esses grupos por escrúpulos
    democráticos, mas porque sabe que as suas provocações podem gerar uma reação
    perigosa, de sentido oposto, por parte da juventude e dos trabalhadores.
  10. Verifica-se internacionalmente que a própria burguesia receia o efeito radicalizador
    da violência fascista aberta. As tentativas de ruptura autoritária sem as condições
    materiais colapsam de imediato: em Dezembro de 2024, o presidente sul-coreano
    Yoon declarou lei marcial — em poucas horas as ruas encheram-se, o parlamento
    resistiu, e Yoon foi preso.
  11. Os casos de Bolsonaro, Trump e Meloni confirmam: o populista no poder não
    instaura o fascismo — governa como direita burguesa reacionária dentro da moldura
    democrática, trai as promessas e encontra resistência crescente.
  12. Meloni chegou ao poder em 2022 a repetir “responsabilidade” aos mercados — sinal
    inequívoco de subordinação à burguesia. No governo, traiu todas as promessas:
    pensões agravadas, impostos subidos, recuo na própria lei de imigração. Enfrentou
    duas greves gerais políticas com dois milhões de pessoas nas ruas do país. Em
    Março de 2026, o referendo constitucional que promovera, transformou-se num voto
    de desconfiança: 54% de Não, participação de 60%, com 61% de Não nos 18–34
    anos. Ainda mais dramática tem sido a queda de Viktor Orbán após 16 anos no
    poder, caiu pacificamente nas urnas.
  13. Bolsonaro é o exemplo da traição e da derrota. Após anos de governo reacionário
    incapaz de cumprir as promessas aos seus eleitores (e gerando protestos
    multitudinários), a tentativa de golpe de 8 de Janeiro de 2023 colapsou em horas,
    sem apoio do aparelho militar nem da burguesia. Bolsonaro foi condenado
    criminalmente.
  14. Flávio Bolsonaro toma agora o seu lugar, demonstrando que os populistas não
    podem ser derrotados sem uma alternativa revolucionária de massas e como as
    traições dos reformistas, neste caso Lula, podem trazer as massas enraivecidas de
    volta à demagogia antissistémica.
  15. Trump é o exemplo mais instrutivo da dinâmica radicalizadora. Em Minneapolis, as
    rusgas do ICE não instalaram a ditadura: provocaram o oposto. Os trabalhadores
    organizaram comités de bairro, vigiaram patrulhas do ICE e desencadearam, a nível
    local, uma greve geral política a 23 de Janeiro de 2026. Trump viu-se forçado a
    recuar, demitindo o comandante local do ICE. Grandes corporações como a 3M,
    UnitedHealth e Target pediram conjuntamente a desescalada.
  16. O descontentamento geral sobre a guerra no Irão também tem quebrado a base do
    movimento MAGA. Muitos dos seus porta-vozes posicionam-se agora contra Trump
    e a taxa de aprovação tem caído estrondosamente.
  17. A conclusão é a mesma em todos os casos: o governo populista de direita não é o
    prólogo do fascismo. É um governo burguês reaccionário que, incapaz de resolver a
    crise capitalista que o trouxe ao poder, trai as suas promessas e gera ódio social
    crescente. O mesmo destino aguarda um eventual governo Chega.

Perspectivas para o Chega

  1. A chegada do Chega ao poder não só é possível, é bastante provável, devido em
    grande parte aos erros dos reformistas.
  2. O Chega é financiado pelo grande capital, ou seja, o “anti-sistema” é bancado pelo
    sistema. No poder, Ventura será obrigado a servir quem o financia. As promessas
    são incompatíveis com os interesses do capital que o sustenta. A contradição
    resolver-se-á a favor do capital.
  3. O precedente internacional é unânime: a base heterogénea desintegra-se quando as
    promessas chocam com a realidade do governo. As expectativas criadas por
    Ventura serão cruelmente frustradas quando ele chegar, ou se aproximar, ao poder.
    É fácil crescer rapidamente num contexto de crise fazendo promessas demagógicas
    a torto e a direito. No poder chegará a hora de prestar contas. A fraca e instável
    base social de Ventura desagregar-se-á.
  4. Se o setor mais inteligente da burguesia se opõe ao “populismo” de Ventura é
    precisamente porque compreende que ele alimenta, de forma “irresponsável”, uma
    perigosa vontade de mudança, embora de forma muito distorcida.
  5. Os trabalhadores que hoje votam Chega não são fascistas convictos — são eleitores
    que procuram uma saída ao status quo atual. Quando traídos, muitos deles
    virar-lhe-ão as costas. O pêndulo, que hoje parece virar à direita, cairá no futuro à
    esquerda, embora não possamos prever que formas e ritmos específicos adotará
    este processo.
  6. Os crimes e casos de corrupção que assolam o partido de Ventura também os
    colocará, eventualmente, no banco do réu dos corruptos.
  7. Este trajeto não pode ser acelerado por nós, nem alterado, na sua generalidade:
    ainda somos demasiado pequenos.
  8. Sem alternativa revolucionária construída previamente, essa raiva será reabsorvida
    por uma nova variante ou reformista de esquerda ou populista de direita.
  9. A esquerda reformista atual não preenche esse vazio — defende o regime burguês
    que os trabalhadores rejeitam.
  10. O que é necessário é um partido de vanguarda, enraizado nos locais de trabalho e
    nas organizações dos trabalhadores, que se apresente como uma alternativa ao
    sistema atual, com um programa que seja uma janela para o socialismo.
  11. Esse partido não se constrói no calor do momento. Tem de existir antes da crise de
    um governo Chega, antes da explosão social que essa crise provocará.
  12. Devemos agora focar-nos no recrutamento dos que se radicalizam devido ao
    crescimento do Chega e que pretendem combatê-lo. A única forma eficaz de
    combater demagogos como Ventura e o capitalismo em crise que os alimenta é criar
    uma organização revolucionária forte, armada com um programa socialista e
    perspectivas adequadas, assentes na independência de classe. Essa é a nossa
    tarefa.

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