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Censura no 1.º de Maio: Quem tem medo das nossas ideias?

Artigo por Hugo Rocheta e Mia Raposo da célula de Coimbra

No passado dia 1.º de Maio assinalou-se o Dia Internacional do Trabalhador, feriado marcado por uma greve geral mundial. O 1.º de Maio estará sempre ligado ao movimento anticapitalista. Não devemos esquecer que foram os alunos de Marx e Engels, da Segunda Internacional, os responsáveis pelo estabelecimento deste dia. 

A célula do Coletivo Comunista Revolucionário de Coimbra participou na manifestação do 1.º de Maio, em Coimbra, convocada pela direção da CGTP. No início, a célula foi alertada por membros da organização sindical de que deveria ficar no fim da fila de manifestantes, algo que tem ocorrido frequentemente em manifestações convocadas pela direção do PCP e da CGTP. Quando começou a marcha em direção à Praça 8 de Maio, esta divisão tornou-se ainda mais evidente. Desta vez, o CCR, juntamente com a organização brasileira Unidade Popular, foi separado do corpo coletivo de manifestantes por uma barreira composta por entre cinco e oito membros da CGTP, vestidos com coletes identificatórios, impedindo o nosso avanço. Contudo, isto não impediu o CCR de proferir cânticos revolucionários, que foram ao encontro daquilo em que os trabalhadores presentes acreditavam. Durante o decorrer da manifestação, o bloco revolucionário chegou a estar separado por cerca de 100 metros da manifestação, tendo o seu avanço sido bloqueado pela direção da CGTP e entalado por trás por agentes da polícia. Lembremos que o 1.º de Maio tem na sua memória uma chacina de trabalhadores pelas forças repressivas “democráticas” dos Estados Unidos, em Chicago, em 1886. Ora, o cenário não poderia ser mais claro: para a direção da CGTP, o Dia do Trabalhador é um monopólio exclusivo dos seus dirigentes e das suas palavras de ordem, de caráter constitucionalista e reformista, propondo limitadas reivindicações económicas no quadro do capitalismo, em vez de superar o sistema que oprime os trabalhadores.

De acordo com a Constituição, que é usada por esta organização de forma repetitiva, a sua ação de bloquear o nosso coletivo de participar junto do resto dos manifestantes viola os direitos consagrados nos seguintes artigos: Artigo 13.º — Princípio da Igualdade; Artigo 15.º — Estrangeiros, apátridas e cidadãos europeus; Artigo 37.º — Liberdade de expressão e informação; Artigo 45.º — Direito de reunião e de manifestação; Artigo 46.º — Liberdade de associação; e Artigo 48.º — Participação na vida pública. Estamos perante uma completa hipocrisia. O Decreto‑Lei n.º 406/74, de 29 de Agosto, no seu Artigo 1.º, refere ainda o livre exercício do direito de todos os cidadãos a manifestarem-se pacificamente em lugares públicos. Para eles, a Constituição é apenas relevante quando usada para defender a sua linha política de pequenas reformas no quadro do capitalismo, sendo ignorada quando o objetivo é silenciar quem realmente luta pela libertação definitiva dos trabalhadores.

O contraste com as palavras de ordem proferidas pelo CCR é drástico. Queremos a verdadeira mudança; queremos a transição para uma democracia proletária rumo ao comunismo. Se os dirigentes da CGTP não concordam com o nosso ponto de vista, teremos todo o prazer em debater com eles. As diferenças no seio do movimento operário devem ser resolvidas através da discussão democrática, nunca através da censura política. Tanto os dirigentes da CGTP como do PCP veem o nosso objetivo como uma ameaça à sua política etapista de aperfeiçoamento gradual do capitalismo. Por alguma razão, os manifestantes com cânticos realmente revolucionários e que cumprem o propósito do Dia do Trabalhador foram empurrados para fora da manifestação. É importante sublinhar que é com as palavras de ordem do CCR que muitos trabalhadores se identificam. De novo: se os dirigentes da CGTP não concordam, deviam contestar com argumentos, e não com medidas de silenciamento. Tal foi observado antes de a arruada ter começado: trabalhadores sindicalizados na FENPROF, bem como outros manifestantes presentes, cantaram com o CCR, bateram palmas e fizeram gestos de aprovação. E não só: já na manifestação do 25 de Abril, dezenas de manifestantes, muitos seguramente militantes da CGTP, cantaram ao lado do CCR palavras de ordem revolucionárias referentes à expropriação de casas e campos; ao derrube não só do pacote laboral — algo contra o qual a CGTP luta ativamente, de facto — mas também do próprio sistema que o criou; e à paz entre povos e guerra entre classes. Estas atitudes, que vemos como positivas por parte de muitos manifestantes, demonstram a consciência de classe que o trabalhador português possui e que os dirigentes da CGTP e do PCP, não tendo argumentos para contestar politicamente, procuram silenciar. Apesar de a CGTP ter dedicado o 1.º de Maio à luta contra o pacote laboral, fá-lo de forma conservadora e tímida, forma essa que ativamente aniquila a chama que nasce no peito dos trabalhadores. 

perto do mercado

A tática economicista do PCP e da CGTP depende da exigência de reformas ao Estado burguês: mais salários, menos horas de trabalho, horários mais flexíveis, entre outras. Nós, sendo a favor da grande maioria das reformas apresentadas por estas organizações, entendemos que as reformas não são suficientes e que, sem o derrube do capitalismo e o estabelecimento da ditadura do proletariado, estas não se tornarão permanentes nem substanciais. 

Com cada ferida feita na batalha pelo marxismo, pela dialética materialista e pelas ideias corretas, avançamos e aprofundamos o nosso conhecimento teórico e prático, o que mais uma vez demonstra que, como Lenine disse, sem teoria revolucionária não existe prática revolucionária. Compreendemos a inevitabilidade da existência de divergências ideológicas numa mobilização como a do 1.º de Maio; no entanto, não podemos deixar que estas diferenças criem atrito dentro da classe trabalhadora, nem que o conflito de pontos de vista teóricos leve à censura de um dos lados. Ao recorrer à repressão, os dirigentes da CGTP demonstram insegurança em relação aos seus argumentos e veem no CCR um grupo revolucionário cujas palavras de ordem vão ao encontro daquilo que a classe trabalhadora procura cada vez mais. 

Junta-te aos Comunistas Revolucionários para lutar pelas ideias revolucionárias do marxismo.

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One comment

  1. Leonardo Furtado

    Ótimo artigo ! Força CCR!

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