Tradução e atualização por PEDRO RODRIGUES
Dia internacional de acção, no dia 2 de Abril !
Ehsan Ali e outros membros proeminentes da ‘Awami Action Committee’ (AAC) na região do Guilguite-Baltistão (GB) – região situada na Caxemira ocupada pelo Paquistão – foram novamente presos. A Internacional Comunista Revolucionária, da qual o nosso Colectivo Comunista Revolucionário faz parte, está a lançar uma campanha de solidariedade para garantir a libertação dos nossos camaradas paquistaneses, a começar por um dia global de acção, a 2 de Abril! Libertem Ehsan Ali! Mãos fora da ‘Awami Action Committee’!
Esta não é a primeira vez que os nossos camaradas do AAC-GB enfrentam repressão às mãos do estado paquistanês! No ano passado, foram sujeitos a uma onda de detenções, nas quais 15 dos seus líderes passaram meses na prisão. No seguimento da uma poderosa campanha internacional, lançada pela Internacional Comunista Revolucionária e que recebeu o apoio de centenas de activistas proeminentes, assim como de sindicatos e políticos, fomos capazes de assegurar a libertação dos líderes da AAC!
Libertámos os nossos camaradas então, e consegui-lo-emos uma vez mais! Mas precisamos da vossa ajuda!
Para que esta campanha seja possível, precisamos da máxima solidariedade e da máxima pressão! Por conseguinte, convidamos os nossos leitores, seguidores, militantes, a ajudar-nos nesta causa. CONHECE o Colectivo Comunista Revolucionário e a Internacional Comunista Revolucionária e ajuda-nos a mobilizar protestos à porta das embaixadas e consulados do Paquistão. Ajudem-nos a mobilizar para o dia global de acção, no dia 2 de Abril.
A situação até agora (pode vir a ser actualizada)
Na terça-feira, dia 10 de Março, o camarada Ehsan Ali, presidente da AAC-GB e líder do ‘Inqalabi Communist Party’ (desde 2024, Revolutionary Communist Party),foi detido no decurso de um raide nocturno à sua casa. Vários outros líderes da AAC foram também presos, incluindo Nusrat Hussain, Mehboob Wali e Mehar Ali. Outros ainda estão a ser perseguidos e foram forçados a esconder-se da máquina opressora do estado paquistanês.
Todos os líderes da AAC estão detidos ao abrigo do “Anti-Terrorism Act” e de muitas outras disposições legais do código penal paquistanês que lidam com os crimes de ‘incitação à violência’. Todavia, qual é a justificação para estas acusações absurdas?
Por um lado, o regime paquistanês está a levar a cabo um enorme aumento dos preços da energia e está preventivamente a tentar silenciar a dissensão. Este aumento dos preços da energia é, em parte, um resultado do impacto da agressão imperialista do Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que levou os mercados de energia a um estado de confusão e desordem.
Quer o continuar da agressão imperialista, por parte dos regimes americano e sionista contra o Irão, quer os conflitos entre o Paquistão e o Afeganistão, serviram de pretexto para o regime paquistanês que, sob a capa de uma ameaça de conflito regional, aproveitou para acertar contas internamente. Já na brevíssima guerra entre a Índia e o Paquistão, no ano passado, tinha utilizado a mesma estratégia.
A agressão imperialista contra o Irão causou revolta entre a população paquistanesa, que tem uma grande simpatia quer pelas massas iranianas, quer pela causa palestiniana. Desde 1 de Março, têm havido massivos protestos contra aquela guerra imperialista, protestos estes que foram atacados pelas forças de segurança em todo o país, incluindo na região de Guilguite-Baltistão (GB), onde pelo menos 14 pessoas foram mortas pelas autoridades e muitas mais ficaram feridas.
Antes da sua prisão, Ehsan Ali utilizou a sua plataforma para se opor à morte dos protestantes pelas autoridades do estado paquistanês e tentou alertar para as provocações com o objectivo de incitar tensões sectárias. Ele também visitou os feridos num hospital, em Gilguite.
Portanto, lançamos a pergunta: quem é realmente responsável pelo ‘terrorismo’ e pela ‘incitação da violência’?
No dia 8 de Março, os líderes da AAC da região do Guilguite-Baltistão, incluindo Ehsan Ali, foram convidados para um jantar de iftar – a refeição nocturna que quebra o jejum diário dos muçulmanos, durante o mês do Ramadão. Nesta refeição, condenaram a morte dos protestantes e discutiram possíveis protestos, da AAC, sobre os aumentos dos preços e sobre a lei da reforma agrária (‘Land Reform Act’), assim como outros assuntos que afectam o dia-a-dia dos paquistaneses. Foi isto que levou à detenção dos camaradas, dois dias depois.
O camarada Ehsan Ali e outros líderes do AAC foram levados ao tribunal de ‘anti-terrorismo’, de Guilguite, no dia 18 de Março, sobre um enorme aparato de segurança. A sua prisão preventiva, sob custódia policial, foi estendida de modo a que a polícia pudesse ter mais tempo para formular a sua falsa investigação. Ehsan Ali, que está na casa dos sessenta anos, está detido em condições muito más e a sua saúde tem piorado. Ignorando ordens de juízes (em duas ocasiões, a 11 e a 18 de Março), a polícia ainda não o transferiu para um hospital. Posteriormente, Ehsan Ali desenvolveria pneumonia e perderia a consciência, na estação da polícia e, só então, é que ele foi transferido para um hospital, de modo a receber tratamento médico de emergência.
Entretanto, já foram realizados vários protestos na região, a exigir a libertação dos camaradas, incluindo uma greve de solidariedade, convocada por advogados na região do Guilguite-Baltistão, no dia 16 de Março.
Ehsan Ali foi levado para a sua audiência em tribunal, no dia 26 de Março, numa ambulância. O próprio juiz comentou, em tribunal, que o caso apresentado pela polícia é injusto e que participar de um jantar de iftar nem corresponde a um crime, quanto mais a uma dita actividade terrorista. Apesar dos advogados de Ehsan Ali terem submetido um pedido de fiança, o juiz (sobre pressão das autoridades), estendeu a prisão preventiva sob custódia policial até 9 de Abril. Em condições normais, a custódia policial de um detido é de um máximo de 14 dias, mas, por conta de legislação recém-aprovada, esta custódia pode ser estendida até a um máximo de 90 dias, em casos de alegado terrorismo.
Background e informação sobre as nossas campanhas anteriores
Guilguite-Baltistão é uma região administrativa do Paquistão. A corrupção, a exploração e o roubo deixaram-na num estado extremo de pobreza e subdesenvolvimento, ainda que o território seja rico em recursos naturais, particularmente a nível dos minérios e dos recursos hídricos. O regime continuamente saqueia a região, em nome dos seus mestres em Islamabad, destrói o vibrante ecossistema local e priva os locais das suas vidas e terras,
Ehsan Ali fundou, em 2014, a AAC (Awami Action Committee), uma forma de organização de defesa das comunidades locais daquela região. A AAC-GB tem lutado, há mais de uma década e de forma incansável, pelas pessoas comuns, lutando por direitos democráticos, pela manutenção de subsídios de bens essenciais (como farinha de trigo) e pelo investimento em infra-estruturas de saúde e educação, para as pessoas daquela região. A AAC-GB também se tem oposto à destruição ambiental infligida sobre o território, causada pela implacável exploração capitalista.
O estado paquistanês vingou-se, colocando Ehsan Ali na ‘Fourth Schedule’, uma medida anti-terrorista que limita, severamente, a sua liberdade de movimento. Depois, no dia 15 de Maio de 2025, o mesmo estado lançou uma onda de detenções contra os líderes da AAC-GB, com a intenção de decapitar esta organização. No total, 15 pessoas foram levadas a tribunal e julgadas sob as leis anti-terroristas, o que lhes impediu qualquer fiança.
Apoiantes do AAC, na região do Guilguite-Baltistão, moveram protestos a exigir a libertação dos detidos (e muitos destes protestos foram liderados por mulheres!) O Revolutionary Communist Party (RCP) também organizou vários protestos de massas por todo o Paquistão, assim como na ocupada Caxemira. O estado paquistanês respondeu com prisões, tortura, ameaças e fomentando o sectarismo religioso.
A Internacional Comunista Revolucionária liderou uma campanha de solidariedade global, na qual os nossos camaradas enviaram milhares de cartas de protesto, fizeram inúmeros telefonemas e protestaram, por todo o mundo, à frente das missões diplomáticas do Paquistão. A nossa campanha foi apoiada por diversos movimentos de protesto, activistas proeminentes, políticos e sindicatos que organizaram milhões de trabalhadores por todo o mundo, incluindo: o Sindicato dos trabalhadores da Amazon, liderado por Chris Smalls; a vereadora da cidade de Seattle, Kshama Sawant; o conhecido académico Slavoj Žižek; entre muitas outras figuras conhecidas e sindicatos de peso, representando milhões de trabalhadores.
Por fim, depois de três meses de protestos, todos os prisioneiros políticos da AAC-GB foram libertos sob fiança. Estes fenómenos, em 2025, foram uma demonstração concreta do poder da solidariedade internacional dos trabalhadores, que temos que mobilizar outra vez, neste ano de 2026, para garantirmos a libertação (de novo) dos camaradas.
Não iremos descansar até que todos os líderes da AAC-GB sejam libertos e toda a repressão que têm sofrido, por parte da máquina do estado paquistanês, termine de vez.
Dizemos: os patrões e os generais é que são os verdadeiros terroristas! Libertem Ehsan Ali! Mãos fora da AAC!
Junta-te ao CCR! Ajuda-nos a libertar a classe trabalhadora do mundo inteiro!
As acções do estado paquistanês não podem ser separadas do plano global. O Paquistão tem sido, desde há muitos anos, um dos estados-clientes preferenciais dos EUA no Médio Oriente, tanto pela sua proximidade com o Afeganistão e o Irão, como pelas suas elevadas capacidades militares e logísticas. Por muito que o Paquistão tenha reforçado os seus laços comerciais com a China, tal não lhe permite libertar-se do jugo imperialista dos EUA. E a China, diga-se, não irá contestar este jugo imperialista estadunidense, enquanto conseguir manter o “business as usual” na região! Com efeito, os EUA têm submetido o Paquistão a uma relação de subalternização, em nome da ‘Guerra ao Terror’ e dos ‘interesses estratégicos’ geopolíticos norte-americanos. A única que, no Paquistão, tem beneficiado desta relação de subalternização tem sido a elite militar corrupta paquistanesa.
Como tal, as acções da máquina repressiva do estado paquistanês não podem ser separadas da acção imperialista dos EUA. E isto deve-nos servir de aviso: não podemos nunca pensar que é lá longe, não é aqui, que aqui estamos seguros… a besta imperialista pode estar mais atiçada no Sul Global, mas ela volta sempre a casa…
Os nossos camaradas paquistaneses precisam de nós. Porque, mesmo que consigam derrubar o governo corrupto paquistanês e instalar um regime novo, anti-imperialista e socialista, não irão conseguir sobreviver sem a solidariedade da classe trabalhadora internacional. Se há lições que podemos tirar das revoluções socialistas na ex-URSS, em Cuba e noutros pontos do mundo, é que uma sociedade socialista (ou em construção do socialismo) não pode sobreviver isolada. Porque, se tal acontecer, a máquina imperialista irá cercá-la, boicotá-la, isolá-la e espezinha-la. Como tal, se queremos mesmo ajudar os nossos camaradas no Paquistão ou em qualquer lugar do mundo, precisamos de derrubar a máquina imperialista aqui, em casa!
É muito frequente ouvirmos, da intelectualidade burguesa liberal, que “a minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. Ora, esta visão individualista de liberdade negativa, que nos vê como entes separados do mundo e das nossas relações sociais, não podia estar mais errada. A minha liberdade começa onde começa a do outro, e a minha liberdade termina onde termina a do outro. Ninguém é verdadeiramente livre até que todos sejamos livres! A classe trabalhadora só será livre se o for no mundo inteiro!
E é aqui que tu entras. Nós, que fazemos orgulhosamente parte da Internacional Comunista Revolucionária, estamos a construir um caminho paulatino, mas sólido, no qual estamos a construir as bases para uma futura revolução socialista mundial, que destrua o capitalismo e o imperialismo. Queres fazer parte desta luta? Junta-te ao CCR, conhece os teus camaradas, ajuda-nos a lutar pelos trabalhadores do mundo inteiro!
Coletivo Comunista Revolucionário Comunistas Revolucionários de Portugal