Cuba1 Image Mark Kirchner Flickr

A Revolução Cubana está a enfrentar o seu período mais perigoso de sempre 

Artigo de Jorge Martín 

O bloqueio petrolífero decretado por Trump a 29 de janeiro está lenta, mas seguramente a asfixiar Cuba, que depende das importações de petróleo para 60 por cento da sua produção energética. O governo cubano admitiu que estão a decorrer conversações com os Estados Unidos, mas estas ocorrem em condições de chantagem imperialista extrema. Como pode ser defendida a Revolução Cubana? 

Um bloqueio total do petróleo 

Cuba não recebe petróleo ou combustível desde 9 de janeiro, quando um petroleiro da PEMEX chegou à ilha vindo do México. Depois disso, o governo mexicano suspendeu todos os envios de petróleo sob chantagem de Donald Trump, que ameaçou tarifas punitivas a qualquer país que vendesse petróleo a Cuba. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos EUA que decidiu que o argumento legal usado por Trump na sua Ordem Executiva era ilegal, o México não retomou os envios de petróleo. 

Quando questionada sobre isto, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum disse que estão “a analisar diferentes esquemas, vamos reportar”. O facto é que o México, que se tinha tornado a maior fonte de petróleo de Cuba, submeteu-se à chantagem dos EUA e cortou completamente o fornecimento de petróleo. É verdade que o governo mexicano enviou ajuda humanitária tão necessária, mas na questão crucial do petróleo, optou por cumprir as exigências de Trump. 

Após o ataque imperialista dos EUA à Venezuela a 3 de janeiro, esse país, que era o segundo maior fornecedor de Cuba, também cortou os envios de petróleo. Só resta a Rússia. O governo russo emitiu declarações públicas fortes em apoio a Cuba e rejeitando o bloqueio petrolífero americano, mas até agora nenhum petróleo russo chegou a Cuba. 

No início de fevereiro, o petroleiro Sea Horse foi carregado com 200.000 barris de combustível russo ao largo da costa de Chipre e seguiu rumo a Cuba. No entanto, a 24 de fevereiro, o navio parou a 1.300 milhas de Cuba e começou a derivar no Atlântico Norte sem destino claro. Poucos dias depois, a 17 de março, foi reportado que tinha novamente rumo a Cuba e estava previsto chegar a 24 de março. 
 
Isto ocorreu no contexto do levantamento das sanções dos Estados Unidos sobre o petróleo russo numa tentativa de controlar a rápida subida dos preços, como resultado da guerra de Trump contra o Irão. No entanto, a 20 de março, a Reuters noticiou que o Sea Horse tinha mudado de rota e que o seu destino era agora Trinidad e Tobago. Não está claro se isto é apenas um estratagema para evitar o bloqueio. 

Separadamente, a 18 de março, foi reportado que o petroleiro russo Anatoly Klodniko tinha seguido rumo ao porto cubano de Matanzas, carregado com 730.000 barris de crude dos Urais. Trata-se de um petroleiro sujeito a sanções dos EUA, pelo que não está claro se será intercetado pela marinha e guarda costeira dos EUA, que patrulham ativamente as Caraíbas e apreenderam vários petroleiros que tentam evitar as sanções dos EUA à Venezuela. 

Além disso, a 19 de março, a agência de sanções dos EUA, OFAC, emitiu uma alteração à Licença Geral 134 de 12 de março, para excluir Cuba da compra de petróleo russo, apesar do levantamento das sanções. Claramente, o homem na Casa Branca está firmemente comprometido em fazer cumprir o bloqueio criminoso do petróleo a Cuba. 

O que querem Trump e Rubio? 

Nos últimos dias, a retórica agressiva dos EUA contra Cuba intensificou-se. Donald Trump tem repetidamente dito que quer “tomá-la, de uma forma ou de outra“. Ele insinuou uma “tomada pacífica“, mas não descartou outros meios. Marco Rubio sublinhou que a economia cubana está numa situação crítica – convenientemente esquecendo o papel desempenhado pelo bloqueio dos EUA na sua destruição! – e acrescentou que a liderança não sabe como lidar com a situação e que precisa de se afastar. 

No seu estilo inimitável – uma mistura de arrogância brutal e ignorante com o desprezo de um tubarão imobiliário pela diplomacia – Trump declarou: “Quer eu a liberte ou a tome, acho que posso fazer o que quiser com ela, se quiserem saber a verdade. Eles são uma nação muito enfraquecida neste momento.” 

Vários meios de comunicação americanos noticiaram que as duas principais frentes de exigências a Cuba são as amplas ‘reformas económicas‘ (leia-se: a restauração capitalista total), bem como a destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel (uma medida que deixaria claro que Cuba capitulou). Isso seria uma versão do que os EUA fizeram na Venezuela, onde o controlo dos EUA sobre os recursos petrolíferos e minerais do país foi combinado com a remoção do presidente Maduro através de uma intervenção militar. 

A destituição de Díaz-Canel seria o escalpo que Trump precisa de mostrar como sinal de vitória. O objetivo subjacente é transformar Cuba numa semi-colónia dos EUA, eliminando qualquer indício de influência chinesa e russa e abrindo o país a empresas americanas. 

Claramente, os Estados Unidos também exigiriam uma série de outras concessões (libertação de prisioneiros, eleições burguesas mais tarde, etc.), mas o seu principal objetivo é a restauração do capitalismo e querem alcançá-lo, se possível, sem turbulência social que possa levar a uma vaga de migração para os Estados Unidos. 

Os responsáveis consultados pela The Atlantic descrevem a situação nos seguintes termos: “Há milhares de milhões de dólares a ganhar aí.” Segundo eles, a abordagem de Trump é: “Controlamos o nosso hemisfério e temos a capacidade de o fazer. Queremos estes regimes hostis fora do nosso hemisfério e vamos criar a comunidade empresarial, porque não acreditamos na diplomacia.” 

No entanto, a administração Trump também tem de lidar com a comunidade cubano-americana reacionária na Florida, que não ficaria satisfeita com a remoção de Diaz-Canel. Querem vingança pela Revolução Cubana e pela expropriação das propriedades dos seus pais. Esta multidão ferozmente anticomunista gostaria de ver a derrubada completa da revolução, a destruição do Estado e o fim do ‘Comunismo’, na sua perspetiva. 

Tal como os apoiantes de María Corina Machado na Venezuela, não ficariam satisfeitos se Trump fizesse um acordo com uma parte da liderança. Os cubano-americanos reacionários têm muito mais influência na política dos EUA do que os seus homólogos venezuelanos. 

Uma reportagem do The New York Times de 16 de março afirmou que “a administração Trump está a tentar afastar o Presidente Miguel Díaz-Canel do poder“, mas não estava “a pressionar por qualquer ação contra os membros da família Castro, que continuam a ser os principais influentes do país“. Segundo este relatório, os EUA estão focados em “fazer com que Cuba abra gradualmente a sua economia a empresários e empresas americanas — lançando as bases para um Estado cliente — enquanto consegue algumas vitórias políticas simbólicas para o Sr. Trump anunciar.” 

Este relatório enfureceu muitos dos gusanos da Florida  – que clamam por sangue – e esta reação foi provavelmente o que levou Marco Rubio a rejeitá-lo publicamente, dizendo que as fontes do The New York Times eram “charlatães e mentirosos“. 

Um relatório semelhante tinha sido publicado alguns dias antes no USA Today. “Um acordo poderia incluir uma flexibilização da capacidade dos americanos de viajar para Havana“, dizia o artigo, “as discussões incluíram uma saída para o Presidente Miguel Díaz-Canel, a permanencência da família Castro na ilha e negócios sobre portos, energia e turismo.” 

Qual é a resposta de Cuba? 

Após semanas a negar que as conversações estavam a decorrer, finalmente, de manhã cedo a 13 de março, o presidente cubano Díaz-Canel admitiu que estas conversas estavam a acontecer. A conferência de imprensa contou também com a presença de toda a liderança do Partido Comunista e do Estado (o Bureau Político, a Secretaria do Comité Central do PCC e o Comité Executivo do Conselho de Ministros). 

Destacou-se a presença do neto de Raúl Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, que tinha sido mencionado durante semanas em reportagens sobre conversações com responsáveis norte-americanos, apesar de não ocupar uma posição oficial de liderança no governo cubano ou no Partido Comunista. 

Na sua declaração, Díaz-Canel falou de “identificar quais os problemas bilaterais que necessitam de solução“, determinar “a vontade de ambas as partes concretizar ações em benefício dos povos de ambos os países” e identificar “áreas de cooperação para enfrentar ameaças e garantir a segurança e paz de ambas as nações“. 

Insistiu que a parte cubana, nas conversações, expressou a sua vontade “de levar a cabo este processo com base na igualdade e no respeito pelos sistemas políticos de ambos os Estados, bem como pela soberania e autodeterminação do nosso Governo“. 
 
São palavras bonitas, mas na realidade não pode haver conversações com base em benefício mútuo, cooperação e respeito, quando o imperialismo dos EUA aponta uma arma à cabeça da Revolução Cubana, ou mais precisamente quando tem um laço apertado ao pescoço e aperta o estrangulamento dia após dia! 

Pouco depois da conferência de imprensa de Díaz-Canel, o Ministério do Comércio Estrangeiro anunciou medidas económicas para permitir que cubano-americanos e outros cidadãos norte-americanos investissem diretamente em Cuba (até então tinham de o fazer através de empresas sediadas em Cuba). Podem investir não só em pequenas empresas, mas também em setores como infraestruturas, e agora têm acesso ao sistema bancário cubano. O ministro responsável é Oscar Pérez-Oliva Fraga, que é também o Vice-Primeiro-Ministro do país. É uma daquelas pessoas que a imprensa capitalista dos EUA quer apresentar como a ‘Delcy Cubana’, ou seja, uma pessoa que seria subserviente ao imperialismo dos EUA assim que o líder principal fosse removido. 

Marco Rubio foi rápido a descartar este anúncio como “insuficiente”: 

Cuba tem uma economia disfuncional e um sistema político e governamental que não conseguiram corrigir. Por isso, devem fazer mudanças drásticas. O que anunciaram ontem não é suficientemente drástico. Não vai resolver o problema. Por isso, têm algumas decisões importantes a tomar.” 

Claramente, o imperialismo dos EUA sente que tem a influência necessária para exigir movimentos substanciais e rápidos rumo à plena restauração capitalista sob a dominação de Washington. À primeira vista, o equilíbrio de forças é extremamente desfavorável à Revolução Cubana. 

Embora o embargo ao petróleo seja agora a principal ferramenta de chantagem imperialista, os Estados Unidos também estão a preparar acusações legais contra a liderança política e militar em Cuba, incluindo Raúl Castro, de 95 anos. O Procurador do Estado do Sul da Flórida já está a coordenar um esforço multi-agências para encontrar uma justificação legal para um ataque dos EUA a Cuba. Este é exatamente o mesmo método usado na Venezuela, onde Maduro foi acusado de ser o líder de um mítico Cartel de los Soles, apenas para essa acusação forjada ser retirada assim que se encontrou detido nos EUA. 

Como defender a Revolução Cubana? 

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O ataque de 3 de janeiro à Venezuela foi um choque para a liderança e para a população em Cuba. Foi chocante por várias razões. Em primeiro lugar, provou que os EUA não se limitarão ao bullying económico e diplomático, que não recuarão de uma intervenção militar direta e que dispõem de meios militares e tecnológicos esmagadores para o realizar, caso assim o decidam. 

Em segundo lugar, devido à forma como a liderança política e militar venezuelana, tão próxima de Cuba, ofereceu tão pouca resistência e estava tão disposta a submeter-se ao imperialismo dos EUA após o ataque. 

Em terceiro lugar, devido à forma como os cubanos suportaram desproporcionalmente o peso das baixas, com 32 dos seus militares mortos enquanto defendiam Maduro, em combate direto com as forças dos EUA. Os restos mortais dos 32 soldados cubanos foram recebidos de volta à ilha com três dias de luto nacional e uma enorme onda de emoção. 

Finalmente, a rapidez com que os EUA conseguiram subjugar a Venezuela revelou também que nem a Rússia, nem a China, nem qualquer um dos chamados ‘governos progressistas’ da América Latina foram capazes ou quiseram ajudar a defender Caracas na hora da necessidade. Em vez disso, limitaram-se a declarações de condenação contundentes. 

Nas últimas semanas falei com muitos camaradas cubanos. Uma ideia que vários partilharam foi esta: “Se eles trouxerem uma invasão militar, resistiremos, mesmo que os nossos recursos técnicos sejam muito inferiores. Não vai ser como a Venezuela.” 

Um dos cantores e compositores cubanos mais conhecidos, Silvio Rodríguez declarou: “Exijo o meu AKM [um rifle de assalto], se lançarem um ataque. E que fique claro que falo a sério.” No dia seguinte, recebeu uma espingarda de assalto das forças armadas cubanas numa cerimónia pública. O gesto de Silvio exemplifica um profundo e orgulhoso espírito anti-imperialista em Cuba. E este sentimento inclui muitos que são bastante críticos da burocracia, dos seus métodos e do crescente processo de restauração capitalista. 

Mas os camaradas com quem falei também acrescentaram: “Mas se apresentarem uma proposta do género ‘levantamos o bloqueio e vocês implementam reformas económicas’, a liderança concordará e, além disso, a maioria da população será a favor, mesmo que isso signifique a restauração do capitalismo.” 

A explicação que me deram foi: “As pessoas estão exaustas, exaustas, a situação atual é insustentável, ter de cozinhar com carvão, ter apenas quatro horas de eletricidade em 48 horas… E como vamos resistir? Qual é a alternativa?” Disseram-me: “Muitas pessoas pensam algo como ‘qualquer coisa seria melhor do que o que temos’.” 

Esse é um fator importante a considerar. Um segmento muito grande da população perdeu toda a confiança na liderança, precisamente porque tudo o que a liderança fez correu mal. 

O impacto das reformas pró-capitalistas… 

Para demonstrar isto, poderíamos recuar às Diretrizes Económicas de 2011, que geraram um debate muito amplo. A proposta era fazer concessões ao mercado para ‘libertar as forças produtivas’. Nada mudou fundamentalmente. 

A reabertura das relações diplomáticas por Obama em 2014 ofereceu uma réstia de esperança de que as coisas melhorariam, mas depois Trump apareceu e apertou brutalmente o bloqueio. Seguiu-se o duro golpe da pandemia de COVID-19, que teve um enorme impacto económico ao cortar uma das principais fontes de moeda forte do país, o turismo, enquanto aumentava as despesas. 

Seguiu-se a unificação monetária de 2020, que provocou uma queda ainda maior no poder de compra e um aumento da desigualdade social. 

Quando Díaz-Canel chegou ao poder, tinha um certo capital político. Era visto como alguém próximo do povo, uma pessoa com os pés na terra. Com o passar do tempo, perdeu tudo. 

A liderança cubana, especialmente nos últimos 15 anos, apostou tudo nas ‘reformas económicas’ que supostamente iriam ‘libertar as forças produtivas’. Ou seja, embarcou no caminho de restaurar gradualmente o capitalismo, seguindo o modelo chinês (ou vietnamita). As reformas pró-capitalistas não eram apresentadas como concessões necessárias perante o cerco capitalista, mas como uma saída progressista para a crise que enfrentava a revolução. A ideia de que o planeamento estatal era o problema e que a concorrência de mercado e as empresas privadas eram a solução tornou-se dominante. 

… e uma política internacional baseada na geopolítica 

A nível internacional, a política da liderança cubana era de apoiar ‘governos progressistas’ e defender a ‘multipolaridade’ como caminho a seguir. O tema central era a luta ‘contra o neoliberalismo’ (não o capitalismo), e a ideia de que alianças com a Rússia e a China, e a adesão aos BRICS, permitiriam a Cuba sair do seu isolamento. O apelo para “dois, três, muitos Vietnames“, feito por Che Guevara em 1966, era uma memória distante. 

A revolução mundial nem sequer fazia parte da discussão. Pior ainda, quando surgiu a oportunidade na Venezuela, durante a Revolução Bolivariana, o conselho da liderança cubana foi: ‘Não copiem o nosso modelo; cada revolução tem o seu próprio caminho‘. Sob o pretexto de ‘não exportamos a revolução‘, as lições da Revolução Cubana – que só expropriando o capitalismo podem ser alcançadas tarefas democráticas nacionais, reforma agrária e soberania nacional – não foram partilhadas. Pior ainda, foram ocultadas e negadas pela liderança cubana. 

Orlando Borrego, que tinha enorme autoridade política e tinha trabalhado com Che Guevara, foi à Venezuela dar palestras aos trabalhadores dizendo que a “co-gestão dos trabalhadores” [uma forma de controlo e gestão dos trabalhadores] era “contrarrevolucionária” e tinha de ser descartada. 

O resultado? A Revolução Bolivariana, que tinha sido uma tábua de salvação – económica, mas também e acima de tudo política (pois Cuba já não estava sozinha) – não se completou com a expropriação do capitalismo, e assim inevitavelmente falhou e degenerou. A conclusão final desse processo de contrarrevolução termidoriana foi a 3 de janeiro de 2026. 

A ideia de que a Venezuela não deveria aprender as lições da Revolução Cubana levou diretamente ao seu maior isolamento. 

Quando os preços das matérias-primas colapsaram após 2014, os governos reformistas latino-americanos também caíram, e os que existem hoje têm demasiado medo para se atreverem a defender Cuba. México, Colômbia e Brasil são todos países produtores de petróleo, mas não levantaram um dedo para abastecer Cuba perante ameaças dos EUA. A Rússia e a China emitem declarações, mas quando chega o momento, o que defendem não é a Revolução Cubana, mas sim os seus próprios interesses capitalistas. 

Até o seu apoio a Cuba é condicional. Há alguns anos, representantes do Instituto Stolypin da Rússia foram a Havana para avançar ainda mais na direção do capitalismo. A China e a Rússia são países capitalistas. Embora possam estar interessados em ter ligações com um país a 90 milhas do seu principal rival, o seu interesse certamente não é defender a Revolução Cubana. 

Esta política económica de concessões cada vez maiores ao mercado, e esta política externa de apoio ao reformismo e à geopolítica, é agravada pelo impacto do peso morto da burocracia. A repressão mais ou menos aberta do pensamento crítico aliena os elementos mais vibrantes e revolucionários da sociedade, especialmente entre os jovens, que procuram um caminho alternativo à esquerda. 

Todos estes fatores (o bloqueio económico brutal e cada vez mais apertado e a agressão imperialista, as políticas de restauração capitalista, o impacto da pandemia de COVID-19) combinaram-se para criar um ambiente generalizado de desespero e desânimo. Mais de um milhão de cubanos emigraram, principalmente entre a geração mais jovem. A economia está em recessão desde 2022. 

E estas políticas continuam, mesmo no meio do ataque de Trump. No início de março, um professor de arquitetura da Universidade Tecnológica de Havana (CUJAE) não renovou o seu contrato porque expressou críticas às políticas da burocracia nas redes sociais. Ao mesmo tempo, o governo cubano acaba de anunciar a abertura dos cuidados aos idosos ao setor privado. 

Os ganhos materiais da revolução nos domínios da educação, saúde e habitação foram severamente enfraquecidos. Ao mesmo tempo, os males do capitalismo, sob a forma de uma crescente diferenciação social, já estão presentes. 

A geração que liderou a revolução em 1959 praticamente desapareceu. Os filhos e netos dessa liderança não têm nenhuma das suas qualidades. Muitos deles estão envolvidos em negócios privados, e os piores ostentam obscenamente a sua recém-adquirida riqueza e privilégios nas redes sociais. 

Muitos deles, como Trotsky explicou em A Revolução Traída, pensam em termos de como passar de funcionários do Estado e gestores das secções estatais da economia, para proprietários capitalistas das próprias empresas. 

As tarefas dos comunistas revolucionários 

O perigo que enfrenta a Revolução Cubana é sério e iminente. O nosso dever como comunistas revolucionários em todo o mundo é defender Cuba. Não estamos apenas a defender um pequeno país soberano contra a agressão criminosa da potência imperialista mais poderosa e reacionária do mundo, estamos também a defender um país que aboliu o capitalismo. A economia planeada foi severamente enfraquecida – pelo bloqueio dos EUA, pela burocracia e por reformas pró-mercado – mas ainda existe. 

A restauração do capitalismo em Cuba significaria a brutal subjugação do país ao imperialismo norte-americano, um regresso à era da Emenda Platt – que ratificou o domínio dos EUA sobre a ilha – e um colapso massivo dos padrões de vida da maioria dos cubanos, enquanto a riqueza se concentraria nas mãos de uma pequena minoria. 

Devemos mobilizar o movimento da classe trabalhadora mundial contra o bloqueio petrolífero de Trump, com todas as forças ao nosso dispor. 

Ao mesmo tempo, é importante discutir como chegámos a este ponto. 

Toda a história da Revolução Cubana demonstra a impossibilidade de construir o socialismo num só país. Só nos períodos em que esteve ligada à União Soviética (apesar do impacto político negativo que teve no processo de burocratização) e depois à Revolução Bolivariana, é que Cuba conseguiu ter algum espaço para respirar. 

A política de reformas do mercado capitalista e a gestão burocrática interna, combinadas com a geopolítica e a ‘multipolaridade’ na política internacional, não só são incapazes de defender a Revolução Cubana, como são prejudiciais e contribuem para a sua destruição. Devem ser combatidos por uma luta pelas formas mais amplas de controlo dos trabalhadores e democracia em todos os níveis, no Estado e na economia; bem como uma política genuína de internacionalismo proletário, a luta pela revolução mundial. 

Da nossa parte, como comunistas revolucionários fora de Cuba, ofereceremos as nossas opiniões camaradas neste debate necessário que já está em curso. 

A nossa tarefa central é acelerar a construção da ferramenta revolucionária que pode levar a nossa classe ao poder, num país ou noutro, porque, em última instância, a única forma eficaz de defender a Revolução Cubana é… Revolução mundial. 

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